Pelas Ruas de Aparecida

Maria Elis era uma mulher de 43 anos, de altura mediana, olhos amendoados, nariz largo e cabelos negros, longos e cacheados. Sua pele e traços fisionômicos não negavam sua ascendência africana. Mãe de Aline e Beatriz, duas mocinhas de 14 e 13 anos, ela revezava as 24 horas do seu dia entre o trabalho, o zelo às filhas e o cuidado com sua casa. Maria Elis trabalhava em um escritório de advocacia, bem suntuoso, próximo ao Buriti Shopping. Ela graduou-se em Direito aos 22 anos e recebeu honras por sua apresentação nota máxima no mestrado, dois anos depois. No escritório trabalhava como secretária. Desde que seu esposo saíra de casa para buscar fraldas descartáveis na farmácia para sua caçulinha Beatriz, há 12 anos, 5 meses e 18 dias, este foi o único trabalho remunerado que encontrou. As outras possibilidades foram estágios não remunerados, e, pela situação pela qual passava, não poderia se dar ao luxo de esperar algo melhor. Na realidade, Maria Elis revisava contratos e processos, fazia observações – tudo com a excelência apreendida em sua graduação -, mas

Por Dani de Brito

  • Gostaria de que não julgasse meu esposo. Você não vivia em nossa casa e não sabe como era nosso relacionamento. Elegantemente cortava o assunto.

Sim, Maria Elis e Ricardo viviam muito bem, obrigado. Eram cúmplices apaixonados, não se guardavam segredos e sua escolha de estarem juntos era algo que acontecia cotidianamente.
            Três meses após a partida inexplicável de Ricardo, sua triste esposa, já empregada com salário e cargos bem aquém de sua competência, doou todas as peças de seu guarda-roupas, inclusive os sapatos que tanto gostava, e passou a alternar entre dois vestidos e dois terninhos, todos pretos, que dividiam um espaço fartamente gigantesco nas quatro portas de seu guarda-roupas.

            Naquele inverno do cerrado, os últimos dois ou três dias estavam sendo dificílimos para aquela senhora que não sabia se era viúva ou apenas uma mulher sozinha, presa em suas memórias enraizadas em uma história de amor. Suas filhas haviam sido levadas pela irmã de Maria Elis para a fazenda, aproveitando os 30 dias de férias do mês de julho. No trabalho só restavam Dr. Bruno, sua esposa Dra. Liana e a secretária, Maria Elis. Os processos eram escassos, então as horas do dia se arrastavam sem qualquer pressa. Maria Elis sentia-se ainda mais sozinha. A solidão de não mais ter Ricardo ao seu lado jamais a abandonara.

            Por volta de duas horas da tarde Maria Elis sentiu sua temperatura corporal aumentar. Gradativamente chegaram a dor de cabeça e as náuseas. Um enjôo que não permitia que se concentrasse nem mesmo em atender as ligações. A febre subia e atingiu os 40º. Maria Elis pediu aos patrões para ir para sua casa. Sozinha, a mulher tomou um banho de temperatura mais fria e ingeriu dois comprimidos de paracetamol acompanhados de água gelada. Deitou-se em sua cama e, mesmo sob o calor de 32º da cidade, cobriu-se com o edredom. Não conseguia dormir. Sua cabeça parecia dar voltas ininterruptas em uma gigante montanha russa acompanhada, nada mais, nada menos, de seu estômago que sentia cada looping do brinquedo. Por volta de sete horas da noite Maria Elis adormeceu. Seu corpo ainda em brasas

ora a vigília, ora o sono profundo que revezavam entre os tremores de seu corpo cansado e os suores da febre.

            A cidade estava vazia.

À meia noite e vinte minutos não se via ou ouvia ninguém. A porta da Matriz estava entreaberta. Maria Elis não hesitou em entrar. Vestia um vestido longo, branco, e seus cabelos negros estavam solto ao vento, após mais de 12 anos. Calçava uma sapatilha de cor rosa. Não sabia como havia chegado ali. Nem sabia se estava mesmo ali. Era tudo muito estranho.

Vertiginosamente estranho.

era a encarregada do telefone, da recepção e era reconhecida apenas por estas duas últimas funções, que registravam em sua Carteira de Trabalho o termo: secretária.

            Ricardo, seu esposo, nunca mais dera sinal de vida desde aquela noite. Maria Elis esteve na farmácia por várias vezes, foi à delegacia outras tantas, ligou para amigos do esposo, mas ninguém dava notícias dele. Quando algumas pessoas questionavam se ele não havia simplesmente ido embora, Maria Elis respondia sem alterar a voz, mas com olhos fulminantes de raiva em sua fisionomia:

Maria Elis fica por um bom tempo na Igreja Matriz, sentada em um banco no canto direito, sendo este o penúltimo da fileira. Perdida, não  se sabe se em delírio pela febre , ou se em pensamentos.

As lembranças do tempo em que sua família era completa lhe vêm à mente. Sente tanta saudade do   marido e de tê-lo junto a ela e as filhas em casa, que se pega em lágrimas  caindo pelo rosto. Com a gola do vestido de tricoline ela seca as lágrimas, se levanta e sai para a linda pracinha da igreja , beleza que ela nem vê. Seu corpo ainda está muito febril.

Mais uma vez ela se lembra do marido, mas sua cabeça dói muito.

Ela decide ir à emergência médica que fica próxima ao clube Tangará. Com as pernas fracas e a mente voando do presente para o passado, ela desce a rua no meio da madrugada e sozinha. Passando perto da rodoviária, ela pensa: será que o Ricardo foi embora em algum ônibus que saiu dali?

Ela continua descendo,  já  que tem pressa em chegar ao pronto socorro. Suas pernas estão  realmente fracas.

Por Ironita Mota

Maria Elis chega à recepção da emergência, e consegue dizer apenas uma frase:

- Estou com febre!

Em seguida cai desfalecida na frente de todos, acordando horas depois e bem melhor graças ao atendimento recebido.

Logo o dia amanhece e Maria Elis já  está  bem, chega ao lado de sua cama uma jovem e linda médica e que diz a ela:

- Querida você  não  tem nenhuma doença física, mas está muito estafada e precisa descansar, se divertir um pouco e ter mais tranquilidade no seu dia a dia, ou....

Sem que a doutora terminasse de falar, Maria Elis vai dizendo:

- Doutora, eu tenho uma família para sustentar.

- Se você não  reservar um tempo para você, seus filhos ficarão  sem esta grande mãe.

Maria Elis recebe alta, se veste e sai, chega na frente de sua casa, olha para a rua com pessoas indo e vindo e, como as filhas estão  na casa de sua irmã,  na fazenda, ela pensa nas palavras que acabou de ouvir  e decide sair caminhando, agora com as pernas mais firmes. Vai rumo ao clube Tangará, chega na portaria, e percebe que o clube não funciona mais. Está em abandono total. Maria Elis olha e vê que o córrego que está  lindo. As águas correm dando a ela uma calma que ela se anima a ficar , afinal, ela só  precisa de um dia para ela.

O dia passa lentamente. Ora com o sol mais quente, ora com clima mais fresco.

Ela sempre sentada ou deitada debaixo de uma grande  árvore, fez naquele dia o que há muito tempo não  fazia: passar o dia fora de casa e sozinha. Assim o dia vai acontecendo, e, mesmo com a tristeza que sentia na alma, seu corpo e sua mente sentem uma paz que há muito tempo, ou talvez, nunca tivesse sentido. Ela sente a brisa da água  vinda pelo vento que passa pelos galhos das árvores  bate em seu rosto e parece  acariciar sua pele e sua alma.

Com a calma que o lugar lhe proporcionava, ela olha na direção  de uma paisagem  verde em uma fazenda que se via do outro  lado, ela vê  que o sol está se pondo lentamente. De repente ela percebe que o dia está indo embora... Precisa ir...

Ela se levanta, agradece a Deus pelo dia, e vai saindo, quando se lembra de sua bolsa que ela havia pendurado em um galho de uma árvore. Ela se vira e pega sua bolsa vermelha, um tanto desbotada pelo tempo de uso, e sai.

Sobe a rua lentamente. Passa de novo  próximo  à rodoviária  que está quase sempre vazia... Maria Elis dá outra olhada com a mesma pergunta: Será  que foi desta rodoviária  que meu Ricardo  se foi? E pra onde ele deve ter ido? Vem novamente a saudade de sua família...  Sente saudade da casa também, e novamente ela se pega chorando.

Ela ouve uma voz que pergunta:

- Moça, o que está acontecendo?

Sem dar resposta , ela segue...

Sua mente não  a leva para os caminhos de casa, e quando ela percebe está  dentro do cemitério  central, andando entre os túmulos, lendo os nomes nas lápides e, lendo nome a nome,  vai escurecendo e não dá  mais  para ler, ela sai  sem em nada pensar e depara-se com um mendigo ...

Por Moacir Francisco 

Maria Elis, saindo do cemitério, encontra um mendigo que estava sempre ali pedindo caridade. Na ocasião, sem perder tempo, ele lhe pede uma esmola e ela, que tem um coração amável e caridoso, logo dá uma quantia para aquele homem que, com um sorriso, lhe agradece por aquela ajuda. Por estar começando cair uma chuva, Maria Elis corre para o ponto de ônibus, ela tinha que pegar para o Garavelo, setor em que morava. Vendo que o ônibus demorava e a chuva caia mais forte, ela buscou abrigo em uma marquise de uma loja no centro. Cansada, acaba arrumando um canto e, pegando uma caixa de papelão, deita. Faz da sua bolsa um travesseiro e, com seus dilemas de uma vida cheia de lutas, dorme e sonha com dias melhores.

Por Nilda Simone Oliveira de Siqueira 

Na fazenda de sua irmã localizada na Zona da mata de Aparecida de Goiânia, próximo ao Vale das pombas, suas duas filhas passam as férias brincando e descobrindo coisas novas peculiares do campo. 
O riacho, o carro de boi de seu tio, as deliciosas comidas feitas pelas mãos bondosas de sua tia.
Aline a mais velha tinha os traços mais marcantes do pai, mas a determinação da mãe.
Beatriz com 13 anos era mais parecida com a mãe e com sua meiguice de menina sempre era mais alegre e extrovertida.
Naquela tarde as duas sentadas a sombra de um pequizeiro. Beatriz comenta.
- Aline o que será que aconteceu com nosso pai? Mamãe diz que ele foi a farmácia e desapareceu. Nunca tivemos notícias.
Aline pensa e com os olhos meio marejados de lágrimas, responde:
- Minha irmã a tantas perguntas que vai por minha cabeça. Eu quase nada recordo. As coisas são contadas como mamãe diz. Porém nossa família e outras pessoas sempre me colocam dúvidas e perguntas que não sei responder.... a tantos anos e ele nunca foi encontrado, nem um sinal.
- Lembra Beatriz aquele dia que estivemos no Aparecida shopping, fomos lanchar com mamãe depois fomos a Feira Literária? Passeamos, olhamos as vitrines , tomamos sorvete...
- Sim, foi um dia maravilhoso, respondeu Beatriz. Mamãe estava sorrindo, quando conversamos com aqueles escritores. Parecia que entre aqueles livros ela viajava. Até nos comprou alguns exemplares, mesmo com nosso pouco dinheiro.
- Mas por que pergunta?
- Naquele dia, responde Aline, parece que a saudade de nosso pai era maior. Eu queria lhe fazer algumas perguntas, mas estava tão bom o passeio que fiquei calada. Mas gostaria muito de saber a verdade sobre nosso pai. Queria muito tê-lo conosco, abraçá-lo, estou ficando moça e nem lembro de seu rosto. Só pelas fotos. É muito ruim crescer sem um pai presente. Não sei se está vivo ou morto.
Devaneia a caçula com o olhar perdido ao longe no horizonte.
- E ainda tem uma coisa, é triste ver nossa mãe trabalhando tanto e jamais ter tempo para ela. Vive para nós duas, seu trabalho e a esperança de que nosso pai volte.
- Será como está nossa mãe agora Beatriz? Estou com saudades e preocupada com ela.
Ambas se olham e diz ao mesmo tempo.
- Mamãe Maria Elis que Deus te proteja.

Por Suely Moreira Lima 

Alguns dias se passaram desde que Maria Elis saiu sem rumo pelas ruas. Estava em um dia normal de trabalho, revisando contratos e fazendo diversas ligações, quando percebeu, já era a hora do almoço, levantou-se, pegou sua bolsa desgastada e foi até o banheiro lavar as mãos. Observou-se no espelho por um instante, ainda havia um resquício de maquiagem que havia passado pela manhã, mas seus olhos estavam cansados, observou as olheiras e não gostava daquilo que via. Lembrou do tempo em que arrancava elogios e tinha a auto estima elevada. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos ao mesmo tempo, resolveu então, almoçar. Neste dia, ela não tinha levado seu almoço para esquentar no microondas do escritório. Como suas filhas ainda estavam com sua irmã, Maria Elis não se preocupou em cozinhar todos os dias então passou numa lanchonete, comeu um empadão e tomou um suco. Seu coração ultimamente estava muito agitado. Precisava colocar os pensamentos em ordem. Resolveu passar o horário do almoço na praça Espanha e ali poderia refletir sobre algumas coisas. O dia estava calmo, Maria Elis seguiu até um banco onde não tinha ninguém, olhou a volta, nas ruas do Jardim Luz passavam alguns carros e motocicletas, havia poucos pedestres. Na praça, olhou ao redor, estava ela pensante sentada no banco e alguns pássaros rodeando galhos. Respirou fundo. Sentia que era bom respirar e que era bom estar viva. Analisou o que sua vida tinha se tornado e que precisava mudar. Afinal, tinha se formado em Direito, poderia dar uma vida melhor para as meninas. Tinha que dar um bom exemplo para elas. Não poderia deixar a vida no marasmo, naquela mesmice de sempre. Pegou uma velha agenda que tinha na bolsa, uma caneta e então começou a listar algumas metas. O foco naquele momento deveria ser ela e as filhas. Pensou em voltar a estudar. Precisava fazer uma especialização, ela tinha a experiência dos estágios, seu currículo não era ruim, então, com uma especialização poderia trabalhar no que realmente queria, mas sabia que para administrar seu tempo de dona de casa, do seu trabalho e de mãe, teria que fazer o curso na modalidade EAD. Depois disso, pensou que logo, as meninas voltariam a estudar e a velha rotina voltaria junto, mas estava na hora de conversar com elas para planejar o futuro. A mais velha, já com 14 anos, poderia estudar e trabalhar de jovem aprendiz e daqui 1 ano a outra também poderia começar no mercado de trabalho dessa forma. Maria Elis deu um pequeno sorriso de canto e sentiu uma ponta de esperança. O coração estava mais leve. Depois poderia pensar em outras coisas, como por exemplo, saber se era viúva ou uma senhora abandonada. Isso podia ficar pra depois. Levantou-se e já seguia para o escritório guando seu celular começou a tocar, ela podia sentir naquele toque um certo aperto no peito e um calafrio passou pela espinha. Ao ver quem estava ligando já imaginou ser algo com as meninas então atendeu desesperada perguntando a sua irmã o que ocorreu. Pelo que entendera, Beatriz sua filha mais nova estava com falta de ar e taquicardia, a irmã de Maria Elis tentou tranquilizá-la dizendo que conseguira uma carona com os vizinhos da fazenda para levar a menina até o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia. Maria Elis sentiu o chão se abrir a seus pés, tudo que conseguia pensar era que queria estar com suas filhas nesse momento. Seguiu então para o escritório correndo para avisar a Dra. Liana que teria de ir ao hospital, mas então resolveu ligar para não perder tempo, logo, sabendo da situação, sua patroa a liberou e pediu para sua secretária lhe dar notícias, afinal, ela também se preocupava com o bem estar de Maria Elis e suas filhas. A viagem da fazenda até a cidade levava por volta de 50 minutos de carro, então Maria Elis chamou um táxi e foi até o hospital esperando ansiosamente a chegada da sua irmã e sua filha Beatriz. Sua outra filha também vinha junto, não quis sair de perto da irmã nem por um instante. Maria Elis esperava na recepção do hospital. A espera parecia uma eternidade. Pensou como foi rápido para a vida lhe dar mais uma rasteira logo quando estava decidida a tomar uma atitude em busca de melhorar de vida junto as suas filhas. Pensava se um dia poderia sorrir de novo. Passado algum tempo, vislumbrou de longe a chegada da sua irmã, Aline vinha junto da tia e Beatriz era trazida nos braços do velho amigo da família e vizinho da fazenda...

Por Ariane Pereira Magalhães de Oliveira

Enquanto aguardava os procedimentos para ser atendida, Beatriz segurava forte a mão de sua mãe. Maria Elis, segurava a mão de Beatriz ao mesmo tempo que abraçava Aline. Estavam ali unidas, juntas, porém aflitas. Beatriz foi encaminhada para o atendimento médico, acompanhada por sua mãe que ao entrar para o consultório e responder algumas perguntas ao médico que a examinava, soube que sua filha estava bem, porém ficaria em observação até normalizar seu quadro clínico por meio de medicamentos. O médico que a atendeu disse à Maria Elis que aqueles sintomas indicavam um quadro típico de crise de ansiedade. Ao ouvir a história daquela família, recomendou que Maria Elis fosse até o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), no setor Cidade Vera Cruz II, onde receberia acompanhamento psicológico e auxílio diante do drama que estavam vivendo.
Maria Elis ligou para sua irmã, deu notícias do bom estado de Beatriz e a acompanhou durante o período em que tomou o medicamento no hospital. Aline, sua tia e aquele nobre amigo da família foram para a casa de Maria Elis até que Beatriz tivesse liberação. Naquela noite no hospital, Beatriz e sua mãe conversaram sobre a saudade que sentiam de Ricardo e como as muitas incógnitas as afetavam. Compartilharam a dor por suas muitas perguntas, sem nenhuma resposta. No dia seguinte, pela manhã, o médico fez suas recomendações e liberou Beatriz.
Aline e sua tia prepararam um belo almoço para receber Beatriz e Maria Elis, coisa simples, mas aconchegante. Maria Elis pediu um carro por aplicativo e foram para casa. Com grande alegria elas foram recebidas. Agora sim, mãe e filhas puderam se abraçar, matar a saudade com afagos e sorrisos de alegria. Aliás, aquele almoço foi um momento de alegria que há muito não se vivenciava na casa de Maria Elis. 
Após aquele fôlego de alegria, a irmã de Maria Elis resolveu retornar à fazenda com seu amigo. Maria Elis e suas filhas a abraçaram, agradeceram pela cordialidade e companheirismo demonstrados pela tia nos momentos mais difíceis que elas enfrentaram até então. 
Maria Elis agora poderia retomar seus planos de reconstruir sua vida, respirava aliviada novamente. No seu íntimo a falta de Ricardo sempre ecoava, mas ela decidira lutar. 
Antes de voltar a trabalhar, Maria Elis ligou para Drª Liana, sua patroa, e explicou-lhe que precisava ir com suas filhas até o CRAS indicado pelo médico que atendeu Beatriz. Drª Liana a liberou e disse-lhe que poderia tirar aquele dia de folga para resolver o que fosse preciso. No caminho, já se aproximando do Centro de Referência em Assistência Social, no setor Cidade Vera Cruz II, se depararam com famílias caminhando, amigos se exercitando na academia ao ar livre, crianças brincando próximo ao CEU das Artes Orlando Alves Carneiro e algumas lembranças as tomaram de súbito. Foi então que...

Por Simone Gonçalves da Silva

Lembrou-se de quantas vezes estivera naquele lugar com Ricardo. E o quanto foram bons àqueles momentos. As lembranças foram tão fortes e reais que parecia sentir o cheiro da pele do seu marido. Foi um momento que sua alma parecia se encontrar em outro lugar. Um lugar onde só existia Maria Elis e seu amor. Recordou-se dos beijos, abraços, momentos a dois e uma saudade inundou seu peito, de forma tal que se sentiu sufocada. Neste instante Aline toca seu ombro e avisa que chegaram. Ela paga o motorista, abraça suas meninas e caminham em direção à entrada do CRAS.A recepcionista as atende. Maria Elis explica a situação e entrega o encaminhamento. Ana Maria, recepcionista fica comovida com a história e diz que a última paciente da tarde havia desmarcado. Que verificaria com a Dra. a possibilidade de atendê-las. Pediu para que esperassem um pouco. Algum tempo depois, chama-lhe e informa que seria atendida, no entanto, demoraria um pouco. Ela por sua vez, fica extremamente grata e feliz pela possibilidade do atendimento da filha.A psicóloga chama o nome de Beatriz. Algum tempo depois, Beatriz deixa o consultório e diz pra sua mãe, que a Dra. quer falar com ela. Maria Elis entra no consultório e é acolhida carinhosamente pela Dra. Márcia que continua a anamnese. Ela conta-lhe toda sua triste história de vida. E como suas filhas estavam envolvidas em tudo aquilo. A psicóloga ouve atentamente todo o relato, e com voz suave explica que aparentemente pode ser uma crise de ansiedade. Explica que a ansiedade é uma emoção normal ao ser humano, e que surge na maioria das vezes ao enfrentar situações estressantes. No entanto, quando em excesso pode tornar-se uma doença. Causa sintomas mentais e físicos que atrapalham o dia a dia. Dor ou aperto no peito, aumento das batidas do coração, falta de ar, náusea, diarreia. Afirma que existem diversos tipos de distúrbios de ansiedade. Sugere ainda que as três façam acompanhamento. Ela concorda. Marcam o retorno. Despede-se. Ao sair dali se abraçam novamente. Aline olha pra sua mãe com muita ternura diz: -- Não se preocupe mamãe, juntas somos fortes! Ao longe avista o ônibus e Beatriz começa a puxar as duas em direção à parada. Sorrindo correm para não perder o transporte. Muita gente em pé. Mesmo cansada se sentia satisfeita. Observava atentamente pela janela a paisagem que passava rapidamente. Viu o Parque América e pensou que morar naquela região seria maravilhoso. Um apartamento para ela e suas filhas. Ao chegar em casa tomou um banho demorado, lavou e secou os cabelos, fez o jantar e sentou-se com suas filhas. Olhava fixamente para elas e no fundo do seu coração sentia-se culpada por tudo que lhes acontecia. Veio a sua mente as palavras de Aline: Juntas somos fortes! Entre lágrimas de dor, de medo, de vontade de mudar, pensou, e em voz alta, as palavras saltavam de seus lábios. -- É hora de dar um basta. Chega! O passado tem que ficar no passado. Eu mereço mais. Vocês merecem mais. E com uma força que brotava do seu coração de mãe, cheio de amor, afirma às filhas que a partir daquele momento elas, juntas escreveriam uma nova história. Seguram bem forte as mãos umas das outras e com um largo sorriso Beatriz diz. – Uma por todas e todas por uma. Assim como na historia dos Três Mosqueteiros. Elas caem na risada. Maria Elis sentia-se de alma limpa, espírito forte e pronta pra novos rumos. Tinha certeza que não seria fácil, porém, não estava sozinha, e cheia de esperança, trazia consigo a certeza de dias melhores

Por Lourruma Nascimento Ferreira

Maria Elis não conseguiu dormir naquela noite, refletiu durante horas sobre tudo que ouvira da Dra. Márcia. No dia seguinte logo cedo, antes de suas filhas acordarem, Maria Elis caminhou rumo ao banheiro, após lavar o rosto pegou sua toalha e secou-se, em seguida ao olhar no espelho ficou decepcionada, a mulher que refletia não lhe trazia motivação alguma. Mas, após uma noite de reflexão ela estava determinada em ser uma nova mulher, começou com um creme na pele do rosto em seguida uma base, contornou as sobrancelhas e passou uma sombra no tom dourado o qual destacava seu lindo olhar, ajeitou o seu cabelo, passou um batom vermelho vinho que foi o toque final. Maria Elis ficou feliz com o resultado e deu um sorriso de satisfação.

As 6 horas da manhã o despertador toca, as filhas Aline e Beatriz logo se arrumam animadas para o primeiro dia de volta as aulas. Após se vestirem para o colégio, juntas elas organizam o quarto para não atarefar tanto sua mãe e vão para a mesa tomar o café da manhã. Ao chegarem sorrindo na cozinha olharam em direção a Maria Elis que estava de costas para a mesa, quando ela se virou as meninas ficaram impressionadas, Maria Elis estava linda e sorridente , ela estava com seu belo cabelo longo e cacheado solto com um prendedor de borboleta segurando o lado esquerdo do cabelo, o vestido branco formal destacava as belas curvas do seu corpo, sua maquiagem básica fez com que ficasse tão linda que era realmente impressionante. O sorriso que Maria Elis deu para suas filhas era de determinação e esperança de que tudo iria ficar melhor a partir daquele momento. Suas filhas não perderam tempo é já começaram a encher sua mãe de elogios dizendo o quanto elas amaram a mudança e que estavam felizes em ver Maria Elis tão viva. As meninas, cheias de assuntos na hora do café, perderam a noção do tempo e tiveram que se apressar, pois, a escola era em outro setor. Elas pegavam um ônibus de segunda a sexta em destino ao Colégio Dom Pedro l localizado no centro de Aparecida de Goiânia. Dentro do transporte coletivo, Maria Elis pensara em tudo que passou, e sentiu-se feliz e grata por tudo que havia acontecido, pois aquelas dificuldades fizeram com que ela se tornasse mais forte. No ônibus Maria Elis encontrou uma vizinha, a mesma elogiou o quanto ela estava radiante, as pessoas olhavam e comentavam o quanto Maria Elis estava linda e diferente, nem precisava de muito esforço para perceber que era uma nova mulher.

No percurso, o sol de uma manhã ensolarada batia em sua pele negra e destacava seu belo tom de pele, sorrindo e conversando elas chegaram na escola, Maria Elis se despede com beijos e abraços de suas duas amadas filhas e deseja um bom dia. Logo Maria Elis vai em direção ao trabalho, totalmente decidida que os dias de sua família serão complemente diferentes daqui pra frente e que nada e nem ninguém irá abalar a fé daquela nova mulher. Maria caminhava até seu trabalho falando com Deus, agradecendo por tudo que ela iria conquistar. Ela passou sobre a passarela e ao atravessar a rua bateu de frente com um homem que parecia muito comseu marido desaparecido, Ricardo, o susto a deixou completamente sem reação, a única coisa que passava por sua cabeça era “por que este homem está na porta do meu trabalho? O que ele quer comigo?”.

Por Sybelle Sofia Cruz de Moraes

Mas antes que conseguisse abordar aquele homem que lhe deixou em estado de choque, aquele estranho (ou não tão estranho assim) percebeu sua identidade e correu para longe dali, deixando Maria ainda mais encabulada. Poderia realmente ser Ricardo, ou apenas alguém muito parecido? Mas então por que ele fugiu ao lhe notar? 
Aquelas perguntas rondavam sua cabeça a todo instante, perguntas que lhe deixaram inquieta durante todo o dia, lhe incapacitando de pensar em nada mais. 
Mas elas sumiram a partir do momento em que chegou em casa e viu suas filhas lhe esperando sentadas no sofá.
—Mamãe, por que não fazemos uma noite das garotas? — Beatriz perguntou após se levantar apressadamente do sofá e correr até a mãe, sendo seguida de Aline.
—Noite das garotas? Por quê? — estranhou.
—Não é segredo que a senhora anda cansada nesses últimos dias, mais do que o normal. Nós percebemos isso! — Aline lhe respondeu. —Sabemos que faz tudo por nós, e também queremos fazer algo por você. Não é justo que apenas a senhora faça esforço por nós. 
Com um enorme sorriso, Maria assentiu e recebeu abraços maravilhosos de suas duas preciosidades. Foi uma noite cheia de maquiagem, danças, brincadeiras e receitas que viam na internet. As três juntas contra tudo e todos, apenas procurando pela felicidade.
Maria Elis podia dizer com clareza de que estava feliz como há muito não ficava. Depois de perder as notícias sobre seu marido, tudo em sua vida havia sido sobre trabalhar e dar o máximo de si para suas filhas, sem tempo para si mesma. E então, depois de tanto tempo, aquela mulher podia se sentir novamente conectada com suas filhas e, principalmente, consigo mesma.
Naquela noite, Maria Elis se deitou em sua cama com o corpo leve como há muito tempo não ficava, livre de preocupações ou receios. Dando um longo suspiro seguido de um grande sorriso, ela fechou seus olhos e caiu em sono profundo.
De repente, Maria Elis não se encontrava mais em seu quarto e sim em frente à Igreja Matriz, no Centro de Aparecida. Suas vestes eram diferentes das roupas que costumava usar, agora que já tinha idade a mais, afinal, para Maria Elis seria totalmente estranho que uma mulher de 43 anos de idade usasse uma calça tão colada, acompanhada de uma blusa jeans de mangas curtas e uma bota preta. Seu corpo já não lhe permitia o uso daquele tipo de vestimenta. Mas naquele momento, ela não tinha um corpo de 43 anos, e sim de quando estava no auge de seus 22 anos de idade.
Olhando ao redor, Maria Elis percebeu diferenças na praça. As luminárias antigas, as calçadas de pedra e o asfalto velho eram abundantes ali, como em sua juventude. 
—Elisinha! — ouviu uma voz familiar lhe chamando por um apelido que era dito por apenas uma pessoa na vida de dela. Mas como era possível? 
Ao se virar na direção em que escutou lhe chamarem, Maria Elis perdeu o fôlego. Ali, a poucos metros de onde estava, Maria Elis viu Ricardo, seu marido sumido. Mas ele estava diferente, como se tivesse rejuvenescido vinte anos, a mesma aparência que tinha quando se conheceram. 
—Elisinha, que bom que você veio! Linda como sempre! Está pronta? — ainda imóvel dentro de seu estado de choque, Maria Elis viu Ricardo correr até si e beijar-lhe a testa. 
—Ricardo? Co-Como? — puxou fôlego e encarou o rosto jovem de seu amado. 
—Como? Não me diga que esqueceu de nossa aventura pela cidade? — inclinou a cabeça em indagação. Não esperando por mais tempo, Ricardo tomou-lhe a mão e a puxou para fora da praça. 
Maria Elis não estava entendendo nada do que estava acontecendo naquele momento, mas seguiu Ricardo para qualquer destino que ele quisesse lhe levar. 
—Seus pais desconfiaram de você? — ele lhe perguntou após algum tempo caminhando de mãos dadas. Maria Elis se sentia como uma jovem fugindo de casa para encontrar um namorado, e lembrava-se muito bem de já ter feito aquilo com Ricardo nos seus tempos de juventude. As ruas de Aparecida também eram como se lembrava.
Não sabia quanto tempo aquele sonho durou, consigo e Ricardo andando pelas antigas ruas de Aparecida e namorando, sendo felizes novamente. Mas então foi acordada para a realidade por seu despertador, a vida continuava! 
Mas diferente dos outros dias, Maria Elis continha um enorme sorriso em seu rosto ao acordar e levantar para mais um dia de trabalho. Levou suas filhas para a escola como rotineiramente fazia e seguiu para o local onde trabalhava. Ao chegar viu o escritório calmo, como todos os dias. Afinal aquele não era um lugar onde muitas coisas aconteciam. 
Então Maria Elis finalmente se lembrou do sonho que teve na noite passada e pensou se aquilo era uma consequência do acontecimento de horas antes de dormir, quando viu aquele estranho homem tão próximo ao local em que trabalhava.
—Maria Elis, preciso de sua ajuda! — Doutor Bruno lhe abordou, tirando-a de seus devaneios. —Minha mulher anda estranha comigo ultimamente. Não sei mais o que fazer! 
—Doutora Liana está estranha? Mas ela sempre foi alguém tão transparente. Aconteceu algo para que ela se tornasse assim? Algo que o senhor talvez tenha feito? — Elis perguntou.
—Bom, eu não me lembro de ter feito algo para deixá-la estressada. — respondeu. —Cogitei a ideia dela estar nos dias vermelhos, mas esta não é a sua época.
Depois de analisar bem a situação de seu empregador e sua esposa, algo lhe vem em mente.
—Doutor Bruno, eu sempre lhe vejo começando o trabalho muito cedo e continuando até muito tarde. Há dias em que saio antes do senhor. Mas quase nunca lhe vejo dando atenção e carinho para sua esposa. — aquilo deixou Bruno pensativo.
—Então ela está assim por falta de minha atenção? — perguntou.
—É uma possibilidade. A atenção, carinho e amor são fundamentais em um relacionamento! — concluiu. 
Bruno sorriu e lhe agradeceu, logo saindo dali e indo em direção ao lado de fora, alegando precisar ir comprar flores para sua esposa. Vendo aquela cena, Maria Elis também sorriu ao lembrar como era bom ter um cônjuge para compartilhar momentos de intimidade e alegria. 
O dia não se arrastou devagar como nos dias costumeiros, e Maria Elis agradeceu por aquilo. Pôde chegar cedo em casa e encontrou sua amiga Bete conversando animadamente com suas filhas. 
—Mamãe! Tia Bete veio lhe visitar. — Beatriz disse empolgada. Eram esporádicos os dias em que recebiam visitas em casa. 
—Na verdade, vim lhe convidar para uma festa. — Bete corrigiu. Maria Elis estranhou mais ainda com aquela informação. 
—Festa? Ora, Bete! Acha que eu ou você temos idade para sair para festas? — indagou. 
Bete lhe sorriu e se aproximou, pegando-lhe a mão e lhe puxando para sentar-se junto a si no pequeno sofá da sala. 
—Minha amiga, não há idade para se divertir. E além do mais, nós não somos velhinhas gagás. Você é uma mulher de 43 anos, não uma anciã de 100. 
—Tia Bete está certa, mamãe. A senhora ainda é nova para não curtir a vida. O "Aparecida é show" parece ser divertido, além de ser frequentada por vários homens bonitos. — Aline levantou as sobrancelhas duas vezes e sorriu de forma sugestiva. 
Maria Elis suspirou e passou os olhos por suas filhas e por Bete, pensando muito a respeito do assunto. Maria sabia que elas tinham razão no que diziam sobre ela curtir mais sua vida, mas será que ela estava apta para viver assim depois de tanto tempo de monotonia? 
—Mas e quanto a Aline e Beatriz? — lhes olhou. 
—Podemos ficar sozinhas durante uma noite. — Aline respondeu. 
—Bom, se é assim… Tudo bem! — as garotas e sua amiga comemoraram juntas.
—Pois bem! Vamos aos preparativos. — Bete bateu palmas. 
Após horas de arrumação, maquiagem e escolha de roupas que Maria Elis não usava há muito tempo, ela estava finalmente pronta e o resultado havia sido maravilhoso. Bete, que tinha ido para casa para se arrumar, voltou para lhe buscar. Se despediram das duas garotas e, juntas, seguiram rumo ao ponto de ônibus. 
—Animada? O "Aparecida é show" sempre traz os artistas que estão bombando e atrai diversas pessoas todo ano. Fui ano passado com alguns colegas. —Bete sempre foi uma mulher animada e cheia de amigos. Mesmo com a idade que tinha. 
—Não sei o que sentir com isso. Acho que estou um pouco nervosa após tanto tempo sem sair para um lugar que não fosse da casa para o trabalho e do trabalho para casa. — Elis admitiu. 
Não foram trocadas muitas outras palavras depois daquilo, pois, como disse, Maria Elis estava muito nervosa para manter uma conversa por muito tempo. 
As duas finalmente desceram no ponto correto e seguiram em direção à festa. E Maria Elis não fazia ideia do que lhe esperava por ali.

Por Gabriel Siqueira Gomes

Chegando na entrada, novamente o nervosismo bate a porta, pois após muitos anos de uma vida difícil e corrida de trabalho para cuidar de suas filhas, ela já não se lembrava como era estar em uma festa com uma amiga. Com ansiedade e nervosismo ela entra e se depara com um ambiente descontraído, animado e cheio de felicidade, algo que a muito ela não via,pois com a rotina monótona de sua vida de trabalho em um ambiente muitas vezes frio e corrido não tinha tempo para sorrir. Uma nostalgia inesperada a traz de voltar a seu tempo de mocidade e a faz lembra do quão era bom ir as festas com suas amigas, isso lhe conforta fazendo com que se sinta à vontade para ser livre, poder sorrir, dançar e se divertir. Ouvindo a voz do cantor Leonardo, ela lembra com carinho e saudade de seu amor, mas sabe o quanto é bela e que a vida é uma sequência, sendo ainda uma mulher com sonhos e que lutará para realizá-los, porém não deve fechar os olhos ou se esconder da vida. Elas se divertiram e naquela noite os problemas fugiram de sua mente.
Chegando em casa suas filhas já estavam na cama e mesmo se sentido muito feliz e leve pela ótima noite que tivera com sua amiga, o seu corpo já não é mais o mesmo de quando tinha 20 anos, cansada, se deita, porém não era o mesmo cansaço das noites passadas, de um dia corrido de trabalho, era um cansaço bom.
No dia seguinte Maria Elis acorda cedo como de costume e vai se arrumar para o trabalho, porém vê que suas filhas, sempre tão pontuais ainda estavam dormindo. Sem entender, olha no relógio ao lado de um calendário que ela havia ganhado de presente de seus patrões no dia do trabalhador para confirmar as horas e se da conta de que era dia 11 de maio, aniversário da cidade de Aparecida de Goiânia, e por tanto, feriado municipal. Com isso ela se lembra do tempo de sua infância, que ia com sua mãe e outras crianças ver o Desfile Cívico, com carros alegóricos, bandas e as fanfarras com aquelas moças na frente carregando bandeiras, os militares, as comitivas de cavaleiros, os carros de boi, a pipoca e as vezes até o algodão doce que ganhava, a história da cidade sendo contada, como era feliz ao lado de sua melhor amiga vivendo aqueles momentos...
Assim, ela espera suas filhas acordarem e como em sua infância as levam para ver o evento mais importante da cidade e espera que suas filhas também tenham, um dia, essa mesma nostalgia, e possam vivenciá-los ao lado de seus próprios filhos, pois ela sabe que tudo passa, e uma geração nova sempre virá para ser melhor do que a nossa, e dar prosseguimento a linda cidade de Aparecida de Goiânia que perpetua no tempo.

Por Stephanie de Sousa Ferreira

Chegaram até o Desfile e acomodaram-se para prestigiar a visão, logo veio a fanfarra que com seus instrumentos em combinação faziam um som tão alto que as pequenas meninas sentiram seu corpo vibrar, era algo intenso. Foi um dia de comemoração e sorrisos, muita animação nas ruas de Aparecida de Goiânia, várias famílias como a de Maria Elis estavam unidas para prestigiar, uma cena linda e marcante.
Voltando para casa, conversaram durante o caminho sobre tudo que haviam visto, como o som era divertido e o Desfile tinha cores chamativas que aqueciam o coração. Aline e Beatriz agradeceram o algodão doce que haviam ganhado da mãe, passaram a falar de como tinham orgulho dela.
- Nossa mamãe é tão bondosa e esforçada conosco, fico tão feliz - disse Aline, sorrindo.
- Sim, com certeza ela é nosso orgulho - completou Beatriz com um sorriso imenso no rosto, que ia de orelha a orelha.
- Minhas meninas, amo vocês mais do que tudo neste mundo! - respondeu secando as lágrimas que haviam escapado de seus olhos, estava cheia de amor.
Continuaram caminhando e conversando, chegaram em casa e cada uma tomou banho após ficarem fora de casa. Maria Elis foi a última a entrar no banheiro, despiu-se e deixou as roupas sobre a pia e observou-se alguns instantes no espelho, o banheiro era simples, com cerâmica branca e alguns crochês que haviam ganhado de alguém que não se recordara mais. Foi para o chuveiro, molhou seus cabelos e os lavou com um creme extremamente cheiroso, uma fragrância que sempre estava nela, um cheiro fresco. Enquanto a água corria por seu corpo ela sonhava acordada, imaginando uma nova vida e se dando forças para continuar com aqueles pensamentos positivos, se algo ruim começava a aparecer, era logo expulso por uma onda de esperança, estava lavando as más energias naquele banho relaxante.
Enquanto a mãe tomava banho, as filhas conversavam discretamente na sala, como se estivessem contando algo que não podia ser ouvido, cochichavam e davam risadas baixas.
- Aline, o que faremos para mamãe este ano? O Dia Das Mães passou e ainda não fizemos nada além de cartinhas - perguntou Beatriz, cochichando.
- Vamos fazer algo legal, um presente especial com nossas próprias mãos, mas que seja mais elaborado que uma cartinha - respondeu Aline, com a voz baixa, porém demonstrando entusiasmo.
- Podemos comprar chocolates em frente a escola, o que acha? - disse em um tom um pouco mais alto do que o desejado.
- SHHHH! Sim, é uma ótima ideia, vamos fazer algo especial juntamente com os chocolates, que tal um poema? Nossa mãe adora coisas românticas, e é mais elaborado que uma carta! - respondeu Aline, muito feliz.
Logo em seguida que finalizaram a conversa, de forma sincronizada Maria Elis sai do banheiro espalhando um cheiro de banho, assustando as meninas que deram um pequeno espasmo de susto, mas sorriram de forma meiga para tentar disfarçar o entusiasmo que corria pelos pequeninos corpos.

Por Francisco Lasaro Alves Vieira

E assim Beatriz e Aline abraçaram a mamãe, se despediram com um beijo de boa noite e foram para o quarto. As duas deitaram na mesma cama conversando bem baixinho debaixo do lençol combinando a surpresa para mamãe, mesmo já tendo passado o dia das mães; ressaltou Aline "antes tarde do que nunca" e convidaram a Bete, melhor amiga de sua mãe a fazer parte do plano.
Bete externando todo seu alto astral deu pulos de alegria com o plano das garotas e logo batizou o trio de "Garotas Super Poderosas". Sorriram as três com esse nome e se sentindo super poderosas começaram a arquitetar o plano surpresa para mamãe Maria Elis. 
Batizaram o plano de "passeio pelas ruas florescidas de Aparecida", porque Bete e as garotas decidiram que além do poema e bombons deveriam acrescentar um passeio pela cidade; afinal de contas, Maria Elis sempre foi apaixonada pela cidade onde mora, Aparecida de Goiânia.
Traçaram um tour pela cidade. Bete, então, compartilhou o plano com os patrões de Maria Elis, Dr. Bruno e Dra. Liana que, entusiasmados, imediatamente se ofereceram a financiar o plano das garotas como forma de gratidão e carinho que expressavam por Maria Elis.
Chega então o grande e esperado dia com Deus descortinando a madrugada apresentando um sol radiante, cumprimentando a cidade ao enxugar o orvalho de suas ruas florescidas.
As duas irmãs acordaram sua mamãe com grande festa e beijos dando-lhes de presente os bombons e declamando o poema feito por elas, ensinado por sua professora do colégio. Em repleto estado de comoção pela surpresa, Maria Elis foi remetida ao seu passado de infância lembrando quando estudava na Escola Municipal São Jorge onde também apendeu a declamar poemas.
De repente um som: Bi,Bip! Era Bete buzinando, derramando toda sua alegria dirigindo um carro emprestado por Dr. Bruno e Dra. Liana para continuar com o plano.
Com um forte abraço as duas amigas se cumprimentaram e as quatro mulheres já fizeram a festa dentro do quarto ajudando e apressando Maria Elis a se produzir para o emocionante passeio.
Saíram aceleradas visitando, primeiro, o Parque da Criança no setor Mansões Paraíso, um dos lugares preferidos de Maria Elis. Enquanto passeavam, o reflexo que se via no espelho d'água era o retrato da felicidade.
Saíram para a próxima visita direto para a Praça Da Matriz onde surpreendentemente tiveram uma aula sobre a árvore genealógica de Maria Elis e a cidade de Aparecida de Goiânia. 
Ao chegarem, Maria Elis assentou-se bem ao lado do casal de estátuas que fica de frente pra capela pintada de azul e branco, que agracia a cidade com sua construção em estilo colonial.
Quando Maria Elis indaga a seguinte pergunta: Vocês sabem quem foi esse casal?
Atônitos e confusos todos responderam que não!
Então ela lê em voz alta uma placa fixada no concreto o nome do casal: 
- José Cândido de Queirós e Maria Elias de Deus, que em 1922 fundou e doou as terras que deram origem ao que hoje é a querida cidade de Aparecida.
Ela continuou: 
- Agora notem a semelhança do meu nome Maria Elis com o da Sra. Maria Elia. Eles eram da nossa família, são meus bisavós. Meu nome é uma homenagem a eles.
Tudo começou no ano de 1922 quando eles doaram 2 alqueires de terra da fazenda deles chamada Fazenda Santo Antônio, para que fosse celebrada aqui uma missa campal em homenagem a Nossa Senhora Aparecida a quem eles eram devotos. 
- E tem mais ainda! Exclamou Maria Elis caminhando até uma cruz de madeira de aroeira:
- Esta cruz foi doada por um devoto da época, Sr. Aristides Frutuoso e foi carregada por uma multidão a pé da sede da fazenda e fincada aqui simbolizando um marco de fé. Celebraram então a primeira missa campal e no dia 11 de maio foi festejada a 1º festa da padroeira idealizando a construção da igreja com doação e ajuda de fazendeiros e devotos da região. Iniciou-se, assim, com um gesto de generosidade e fé o nascimento de nossa cidade chamada: Aparecida de Goiânia por homenagem a santa padroeira Nossa Senhora Aparecida e a Goiânia, capital do estado. 
Perplexos com a revelação e modéstia de Maria Elis, almoçaram ali pertinho no Aparecida Shopping e logo se dirigiram para o pipódromo onde prepararam mais uma surpresa para a mãe delas: um vôo panorâmico de ultraleve, o esporte preferido de Maria Elis e o papai Ricardo.
O piloto muito divertido e com espírito de aventura gritou: Vamos sonhar nas alturas! Maria Elis levou um susto na decolagem e lá foram eles  para as alturas e ela foi às lágrimas vindo à tona a saudade de Ricardo, seu grande amor. Sobrevoaram sobre o polo empresarial e industrial até chegarem ao cartão postal preferido de Ricardo, a Serra das Areias se mostrando imponente e majestosa por sua grandeza natural, como se quisesse abraçá-la e compartilhar de sua felicidade. 
E foi assim, nos céus, que Maria Elis se sentiu a mamãe mais amada do mundo, convicta de que tendo amigos sinceros nunca estará sozinha e agradeceu a Deus por Ricardo ter lhe dado duas filhas maravilhosas.
E haja o que houver, esteja ele onde estiver, eles estarão sempre juntos, como o casal de estátuas na praça da matriz; unidos eternamente pela fé, pelo amor e pela história.
Sentido-se caminhar nas nuvens ao lado de Deus, Maria Elis sentiu-se fortalecida e decidiu que ao aterrizar iria escrever uma nova história em sua vida, que poderia ser melhor, ser diferente e deu asas a sua liberdade seus sonhos sua imaginação....

Por Julia Pinto

A partir daquele dia cheio de surpresas e alegrias que Maria Elis não se permitia viver há tempos, ela decidiu que, poderia ter muito mais energia para realizar seus sonhos. Percebeu que estar com suas filhas e amigos era muito mais importante do que a correria que sua vida tinha se tornado. Estava pensando que tudo aquilo havia causado crise de ansiedade em sua filha. Mas, agora, ela decidiu conversar com seus patrões, pois queria trabalhar menos tempo e dedicar a outra parte para cuidar de si e das meninas. No dia seguinte, ainda em êxtase por tudo que havia vivido anteriormente, seguiu a mesma rotina e ao adentrar o escritório pediu uma reunião com o Dr. Bruno e Dr. Liana. Primeiro agradeceu o carinho da surpresa do dia anterior e depois pediu para que pudesse trabalhar apenas no horário que suas filhas estavam na escola. Maria Elis queria se dedicar na realização dos sonhos que guardara em seu coração durante tanto tempo. Foi prontamente atendida por eles, pois o Dr. Bruno era prova que a família precisava de atenção constante. E assim, a vida de Maria Elis começava a tomar novos rumos, com mais tempo para ela e para conviver com as filhas, logo percebia que a paz e alegria começava a se tornar rotineiras em sua casa. Um dia, conversando com as filhas , Aline lembrou que havia assistido na TV um restaurante na cidade de Aparecida de Goiânia que havia ganhado o concurso Comida di Buteco. A sugestão foi apreciar a delícia do Boteco do Filhote no Parque Trindade. Estavam animadas para comemorar o novo rumo que a vida delas tinha tomado. Se arrumaram e chamaram um carro. Ao chegarem no local e assentarem a mesa, pediram o prato que fizera tanto sucesso. Ali, Maria Elis despertou para o desejo que tanto teve em sua juventude ao lado do seu amado Ricardo....

Por Samanta Pereira Sampaio

Ainda no buteco, Maria Elis e suas filhas em espírito de comemoração, muito feliz aparentemente estavam,mas uma de suas filhas se encontrava meio distante, parecia triste. E coração de mãe não se engana Maria Elis sabia que algo estava se passando.. Dali foram para casa às 23:00 horas e muito contentes sorriam e faziam planos ... No dia seguinte Maria Elis levantou cedo como de costume e pensou.. Vou até o quarto das meninas, chegando próximo da porta do quarto avistou a sua filha mais nova olhando para o horizonte e distante, olhar triste. Chamou-a várias vezes e sua filha não respondia, parecia sonhar acordada, ela chamava Filha, filha,filha oque ouve?!
A filha assustada responde: nada mãe vou tomar um banho!... E foi logo para o banheiro e Maria Elis foi a padaria. Maria Elis ao caminho preocupada com a filha, pensando o que poderia fazer para que a filha se sentisse melhor, passando pela rua 11 de maio avistou uma Associação de catireiros, e adentrou e logo foi recebida por uma senhora muito simpática e gentil de estatura mediana e cabelos curtos e ruivos chamada por" Nilmari ", muito conhecida por ser uma moradora antiga e pioneira da cidade. Maria Elis muito encantada com aquele espaço com várias antiguidades, logo lembrou de sua filha comentou: Nossa estou preocupada com minha filha, ela anda muito distante dona Nilmari, ela diz que não, porém sinto que ela está triste, até mesmo ontem comemoravamos juntas pois pedi aos meus patrões que eu pudesse trabalhar meio período para ter tempo pra elas. Só que sei que algo não está bem com minha filha. Dona Nilmari muito experiente orientou Maria Elis que levasse a filha até a associação de catireiros para que conhecesse o local e quem sabe não gostaria de participar do grupo de catira!

Por Ironita Mota

Maria Elis, no dia seguinte, leva as filhas para conhecerem a Catira, e elas assistem a tudo com muita atenção. Quando saem dali a mãe pergunta para as filhas: - E aí, meninas, gostaram? Beatriz é a primeira a responder, e diz: - Mamãe eu gostei muito de assistir, inclusive pretendo acompanhar este grupo e até convidar os colegas da escola pra virem prestigiar. E, aproveitando, se possível eu gostaria de fazer natação, até já pesquisei e descobri que no Centro Olímpico Aparecidense tem, e, quem sabe, me tornar uma competidora de nível nacional... E representar nosso munícipio lá fora, assim como alguns outros profissionais do esporte e da cultura daqui fazem. Maria Elis ficou encantada com a escolha da filha, e perguntou para Aline: - E você, filha, o que pretendente fazer na área do esporte? Aline diz: - Mamãe eu vou fazer igual à maninha, vou acompanhar este belo trabalho, mas queria mesmo era fazer basquete, e minha altura acredito que vai me ajudar, mas não sei se aqui em Aparecida de Goiânia tem. Maria Elis responde dizendo: - Filha, vou procurar na Secretaria de Esporte e Lazer e, se tiver, vou te matricular. Aline completou: Mamãe, se não tiver, quero fazer futebol feminino. Quero mesmo é ação! Com esta resposta em grito, a menina moça pula no meio da rua ... E um ônibus que acabou de virar bem na esquina, só é percebido pelo derrapar dos pneus, esforço feito pelo motorista para parar o carro para não bater em Aline. Naquele momento só ouvia gritos dentro e fora do ônibus. Passado o susto, elas seguem para casa. Durante a caminhada o silêncio toma espaço, e Maria Elis começa a repensar na possibilidade de se mudarem, sobre a qual elas haviam conversado, isto, porque os prédios quase todos ficam um pouco mais distantes do Centro de Aparecida. Assim, um pensamento traz outros , e ela pensa que já deveria ter um carro, e lembra de uma poupança que fez durante todos estes anos, ora pensando no futuro, ora pensando em contratar um bom detetive para procurar o marido. Mediante às necessidades da família ela decide ver o saldo de sua conta para pensar melhor sobre a possibilidade de comprar um carro. Chegam em casa e Maria Elis com os pensamentos no futuro, começa também a pensar em exercer sua profissão. Como pode ser uma advogada com mestrado e ainda trabalhar como secretária? Com estes pensamentos ela adormece...E acorda atrasada pra seu dia de trabalho. 
Sai correndo para embarcar no ônibus, que segue sem parar, e Maria Elis é obrigada a esperar o próximo. Chegando ao escritório com alguns minutos de atraso, ela sobe rapidamente a escada que é por fora do pequeno sobrado , chega à grande recepção e até esquece de perceber que seus patrões já estão alí, e o pior, com o cafezinho pronto. Ela fica sem graça, afinal sempre foi muito responsável com suas obrigações. Ao olhar à sua volta, percebe que as salas estão todas abertas, isto porque o pequeno sobrado tem, além da sala de recepção, um corredor e 4 salas 2 de cada lado, sendo usadas apenas as duas da frente pelo casal de advogados. Neste dia as demais estão abertas, e ela logo é convidada a ir a uma das salas, ela vai e com seus pensamentos a mil por hora, pensa que vai precisar fazer algumas mudanças ali, afinal tudo menos utilizado era depositado nestas salas. Sem muita conversa, a patroa mostra a sala para Maria Elis como se ela não conhecesse a mesma, em seguida voltam para a sala da patroa, e ela começa a falar, dizendo que pretendem fazer sua rescisão contratual de trabalho, caso ela aceite uma proposta que irão fazer. Maria Elis arregala os olhos, com seus muitos pensamentos, inclusive aquele de começar a advogar. Ela imagina que vão lhe oferecer uma gerência com participação nos lucros, mas jamais o que ouve! A doutora oferece a ela uma sociedade. Isto mesmo, convida Maria Elis para ser sócia do escritório e já entrar com o trabalho e lucros partilhados em todos os processos em andamento. Maria Elis fica surpresa, e diz; preciso saber o valor que irá me custar para entrar para sociedade, pois vocês já têm uma carteira de clientes e contratos com órgãos públicos e empresas, e ainda completa dizendo: - Eu até já cogitei está ideia de advogar, mas seria abrir um pequeno escritório e começar do zero. Naquele momento o Dr. Bruno começa a falar e explica que seus direitos trabalhistas da rescisão serão suficientes e que ainda lhe darão uma gratificação pelos muitos anos de trabalho e dedicação. Acertado tudo entre as partes, eles decidem que a Beatriz e Aline vão trabalhar no lugar de Maria Elis, cada uma meio período, para não atrapalhar os estudos das meninas. Mediante a situação trabalhista acertada, Maria Elis decide ir ao banco ver o saldo de suas economias como há dias vinha pensando. Quando pega o extrato se assusta! Guardou tanto que tem o suficiente para comprar um bom carro à vista, dar entrada em um bom apartamento, comprar alguns móveis, inclusive para os quartos das filhas, e ainda sobrar um pouco para ver o detetive e saber o que aconteceu com Ricardo. Maria Elis e suas filhas visitam alguns prédios no setor dos Afonso, Vila Brasília, Parque América e outros, mas a decisão foi pelo Parque América, por ficar mais próximo do centro de Aparecida , e assim, facilitar a ida delas para o trabalho, para escola e para as atividades que elas iriam fazer. Dias depois se mudam para o apartamento de 3 quartos e cada uma pode ter o seu, e decorar do seu jeitinho. Tudo resolvido e a vida delas tomou outro rumo, deixando as melancolias do passado, lá no passado. Chegou o dia de Maria Elis completar a estabilidade da família, foi a uma concessionária na avenida Rio verde, perto do Buriti Shopping e comprou um carrão preto e imponente, afinal elas mereciam! Buscaram o carro, mãe e filhas, e saíram com um sorriso estampado em cada rosto. Porém, quando atravessavam a rotatória de uma igreja católica, já chegando nos prédios do condomínio Maria Inês, se deparara com um homem que pula na frente do carro.......

Por Mônica Lopes de Mendonça

Maria Elis assustada, instintivamente pisa no freio enquanto as filhas gritam em uníssono. O carro para imediatamente. Ela olha para a filha Beatriz ao seu lado que está com os olhos arregalados e depois olha para o banco de trás verificando se a outra filha estava bem.
Respirou fundo ainda segurando firme no volante. Respirou outra vez profundamente para se acalmar. Pediu para que as meninas ficassem no carro, soltou o cinto de segurança e abriu a porta rapidamente para ver a situação que se encontrava o homem que acabava de ser atingido pelo carro. 
Ele estava levantando do chão, ainda confuso e com a mão sangrando por ter tentado não bater a cabeça no chão, acabou arrastando a mão no asfalto quente. 
Maria Elis desculpou-se pegou a pasta de couro dele caída do outro lado, depois agachou-se tentando ajudá-lo a levantar-se do chão. O homem estava bem vestido com um terno chumbo, uma barba bem feita, os cabelos castanhos em desalinho devido à queda.
- Sinto muito, eu não o vi... – Ela disse sem jeito, segurando no braço dele gentilmente, esperando receber uma chuva de reclamações por não ter cuidado, mas foi surpreendida por um doce sorriso do homem.
- Sou eu quem deve pedir desculpas, afinal praticamente me joguei em frente ao carro, estava apressado, distraído e não olhei com atenção para a rotatória. – Desculpou-se enquanto levantava sentindo as mãos trêmulas de Maria Elis segurando seu braço.
Ela queria levá-lo ao hospital, não podia aceitar o fato de deixar alguém machucado sem os devidos cuidados, pediu que ele entrasse em seu carro, mas ele com um leve e brando sorriso disse que não era necessário, estava bem e havia apenas uns arranhões em sua mão. Mas ela não aceitou a recusa, viu bem a mão dele, estava machucada, arranhada e sangrando. Com a outra mão ele segurou a mão dela que ainda apertava nervosamente o braço dele. Só então ela percebeu e sorriu sem jeito soltando o braço dele. Entregou a pasta de couro. Ela lembrou-se que no posto de gasolina havia uma farmácia, estavam bem próximos de lá. Ele percebeu que ela não seria convencida do contrário e aceitou. 
Ela ouviu as buzinas insistentes de alguns carros já estavam parados na rotatória.
Beatriz viu a mãe e o homem vindo em direção ao carro, abriu a porta e passou para o banco de trás.
Antes de entrar no carro ele se apresentou para Maria Elis, disse que seu nome era Alberto e ela disse seu nome, abrindo a porta esperando ele entrar no carro. Ele entrou no carro, virou-se para o banco de trás e disse seu nome, explicou que estava tudo bem, pensava em acalmar as duas jovens que olhavam para ele curiosas. Explicou para as três que estava visitando um cliente e seu carro estava ali próximo ao posto no lava-jato na mesma Av. Independência. Maria Elis respirou um pouco aliviada, mas as buzinas insistentes não deixaram que ela se perdesse em pensamentos e logo ela tirou o carro da rotatória dirigindo até o posto, estacionou em frente à farmácia. 
Alberto se despediu das duas jovens que ainda olhavam curiosamente para o homem desconhecido, mas simpático. Ele seguiu Maria Elis. Ela entrou rapidamente enquanto ele atendia o celular que tocava insistentemente em seu bolso. Escolheu o que precisava para limpar o ferimento e enfaixar a mão de Alberto. 
Quando ela saiu da farmácia ele ainda falava ao telefone, ao vê-la se aproximar desligou o telefone e sorriu dando alguns passos em direção a ela que colocou a sacola sobre o capô do carro. Ela tirou o spray antisséptico da sacola, ele esticou a mão com a palma virada para cima. Olhava atenciosamente para ela observando-a. Ela borrifou o spray na mão dele, limpou o ferimento delicadamente com algodão, passou uma pomada e depois fez o curativo, enfaixou para que ele mantivesse o ferimento protegido.
- Prontinho. Procure deixar o ferimento protegido enquanto estiver na rua, mas quando estiver em casa basta limpar e passar a pomada, logo ficará curado. – Ela explicou colocando todo material não utilizado dentro da sacola entregando para ele.
- Obrigado. Vejo que você é uma especialista. – Disse mexendo a mão olhando o bom trabalho feito por ela. - Faço questão de pagar pelos medicamentos. – Ele disse pegando a sacola.
- De forma alguma. Espero que você fique bem e mais uma vez me desculpe pelo transtorno.
Antes que ele falasse novamente, o celular voltou a tocar e ele atendeu, pediu para a pessoa esperar na linha e se despediu de Maria Elis, acenou para as meninas no carro e atravessou a rua conversando ao celular indo em direção ao lava-jato buscar o carro.
Maria Elis entrou no carro, respirou profundamente duas vezes tentando coordenar suas ideias. Beatriz saiu do carro e entrou pela porta da frente sentando-se ao lado da mãe, vendo-a tão pálida perguntou preocupada se estava tudo bem. 
Ela disse que sim, deu um sorriso tranquilizando a filha, embora seu coração ainda batesse descompassado no seu peito, ajustou o cinto e disse para as filhas que agora iriam para casa.
Quando entraram no apartamento se organizaram. Enquanto as filhas tomavam banho e começavam a estudar, Maria Elis foi preparar o jantar. Estava distraída e a todo instante se lembrava do acidente e seu coração começava a bater fortemente. Ela balançava a cabeça tentando esquecer aquele momento, mas não se permitia errar, principalmente ao pensar que por pouco o homem podia ter se ferido seriamente. 
Saiu de seus devaneios sentindo as mãos de Aline segurando nos seus braços perguntando se estava tudo bem. A mãe sorriu dizendo que estava enquanto voltava a preparar o molho para o macarrão que estava fazendo.
- Mais cinco minutos e estará pronto o jantar, você terminou o que estava fazendo? – Perguntou. 
A filha afirmou com a cabeça e começou a colocar os pratos na mesa e talheres. As três jantaram, Beatriz percebeu que a mãe estava muito pensativa, sabia que ela era muito preocupada e com toda certeza estava se culpando pelo acidente. Ela se aproximou da mãe e deu um beijo no rosto dela que ainda estava sentada pensativa.
- Mãe, pode ir descansar, eu arrumo tudo aqui rapidinho. Sei que o dia hoje foi bem cansativo.
- Obrigada, minha querida. – Ela disse levantando-se dando um beijo na filha, foi até seu quarto, demorou a conseguir pegar no sono, sorte estar tão cansada.
Quando o despertador tocou ela abriu os olhos, mas teve a sensação que tinha apenas piscado. As três se arrumaram e saíram apressadas, deixariam Beatriz na escola e depois Maria Elis e Aline iriam ao escritório.
Dr. Bruno e Dra. Liana ainda não haviam chegado, abriram o escritório e começaram a trabalhar. Dez horas eles chegaram. Maria Elis mostrou todos os documentos e petições prontos para a audiência que teria aquela manhã no Fórum. Ela e o Dr. Bruno iriam representar um dos clientes mais importantes do escritório no Fórum Central, na Av. Furnas, no Jardim Rio Grande, enquanto Dra. Liana estaria no mesmo horário em outra audiência na vara de família no Fórum de Varas de Família e Juizados especiais na Av. Atlântica, no Jardim Boa Esperança. 
Dr. Bruno estacionou o carro e os dois foram juntos conversando sobre a audiência. Não avistaram o cliente, mas ficaram no corredor em frente a porta da vara que ocorreria a audiência. Enquanto esperavam o cliente, o Dr. Bruno olhou para Maria Elis.
- Ansiosa? – Perguntou.
- Não. Tenho certeza que fizemos tudo devidamente. – Ela disse segura.
O cliente chegou, após cumprimentá-lo foi até o balcão avisar que estavam presentes. Logo chamaram para começarem a audiência. Maria Elis conduziu toda audiência com maestria e bastante conhecimento, havia estudado bastante o caso e no final foi ganho de causa para seu cliente. 
Quando os três estavam fora da sala do juiz, o cliente agradeceu satisfeito com o trabalho deles. Assim que ele deixou-os, Dr. Bruno parabenizou-a pelo sucesso da causa, era um processo difícil que já havia se estendido por vários anos entre recursos, adiamentos, mas finalmente era mais uma vitória na carreira de Maria Elis, ela quase não podia conter-se de tanta felicidade. 
Estava um dia quente e abafado, normal para a cidade naquela época do ano. Dr. Bruno avisou que iriam encontrar Dra. Liana e os três iriam almoçar juntos e comemorar o sucesso, aquela grande vitória. Ela concordou, mas antes precisava ir até o banheiro lavar o rosto e corrigir a maquiagem. 
Conseguiu se refrescar um pouco, retocou a maquiagem. Ao sair do banheiro o celular tocou dentro da bolsa, ela colocou a mão, olhando dentro da bolsa para encontrar o telefone, continuou andando distraída e assim que achou o celular tirando-o da bolsa esbarrou em alguém que vinha distraído na direção contrária conversando com outra pessoa no celular.
Entre tentar segurar o celular na mão ou se equilibrar nos saltos altos, ela escolheu tentar se manter de pé, mas só conseguiu escapar de cair vergonhosamente porque foi amparada por braços que a seguraram firmemente, mas em compensação o celular voou e espatifou-se no chão. 
Conseguindo ficar equilibrada e ereta novamente, olhou para o homem que a salvara da humilhação de cair. 
- Você está bem? – Ele perguntou preocupado olhando para os olhos amendoados dela.
- Estou sim, obrigada. – Ela disse forçando um sorriso sem jeito, ainda com medo de se desequilibrar.
- Acho que não podemos dizer o mesmo do seu celular. – Ele disse olhando em direção ao chão, mas ela só conseguia olhar para ele.
- Não tem problema. Isso é fácil de resolver.
- Acredito que devemos parar de nos encontrar dessa forma. – Alberto disse sorrindo, depois deu uns passos recolhendo os pedaços do celular, trazendo para ela.
- Estou tremendamente envergonhada. Desculpe-me novamente. – Ela disse pegando os pedaços do celular colocando dentro da bolsa com as mãos trêmulas e um frio no estômago.
Dr. Bruno que notou a confusão se aproximou deles. 
- O que aconteceu? – Perguntou observando os dois.
- Eu esbarrei nele e quase cai, mas ele me poupou de uma situação ainda mais constrangedora. – Maria Elis se explicou.
Dr. Bruno e Dr. Alberto se apresentaram mais adequadamente enquanto Maria Elis tentava recompor-se. O telefone do Dr. Bruno começou a tocar, ele atendeu, era a esposa dizendo que já estava indo encontrá-los no restaurante. Dr. Bruno avisou que precisavam ir, tinham um compromisso. Maria Elis despediu-se com um sorriso nervoso e segurou a mão dele estendida em direção a ela. Então percebeu que ele ainda estava com a outra mão enfaixada.
- Como está sua mão? – Perguntou preocupada.
- Está ótima, estou seguindo corretamente as suas orientações. 
- Espero que se cure rapidamente.
- Eu espero que nosso próximo encontro não seja em outro acidente, doutora. – Ele disse piscando para ela.
- Também espero. – Ela disse sem jeito soltando a mão dele e fazendo um gesto com a cabeça virando-se.
Ela seguiu o Dr. Bruno para fora do Fórum em direção ao carro estacionado. 
- Vocês se conhecem de onde? – Dr. Bruno perguntou apertando o controle desligando o alarme do carro.
- Eu o atropelei ontem. – Ela disse finalmente conseguindo dar um riso nervoso pela situação inusitada.
- Interessante... Dois acidentes em vinte e quatro horas, talvez seja um sinal para ficar mais atenta. 
- Vou redobrar os cuidados. Pode ter certeza. – Ela disse enquanto entravam no carro.
Os três almoçaram juntos. Depois retornaram ao escritório. Beatriz já estava no escritório. Alice ainda esperava a mãe, tinha almoçado com a irmã em um restaurante ao lado do escritório. 
Maria Elis deixou alguns documentos para a filha arquivar e uma lista de clientes para ela marcar horários para reuniões no próximo dia. Voltaria no final do expediente para buscá-la.
Enquanto desciam do carro na garagem do prédio, Beatriz foi pegar a mochila no chão e só então reparou que a pasta de couro preta de Alberto ainda estava dentro do carro.
- Mãe, essa pasta não é daquele homem bonito que a senhora atropelou ontem? – Disse entregando a pasta para a mãe.
- Como não percebemos que essa pasta estava aí no chão do carro? – Ela disse segurando a pasta com cuidado.
- Eu não sei. Hoje estávamos atrasadas o tapete é preto da cor da pasta.
- Depois eu vejo se tem algum telefone de contato em algum documento. Vamos subir.
As duas entraram no apartamento, Maria Elis carregava a sua pasta com alguns processos dentro e a pasta do Dr. Alberto. Levou tudo para seu quarto, sentou na cama e colocou a pasta dele no colo.
Lembrou-se do encontro dos dois e riu para si mesma, era muito estranho tudo o que estava acontecendo. As cenas se desenrolavam em sua mente em câmera lenta, da forma que via acontecer nas novelas. Pensava na gentileza, no sorriso dele sempre tão doce, e os olhos meigos que em nenhum momento mostrava desagrado ou irritação mesmo tendo sido atropelado duas vezes por ela, a primeira vez com o carro e a outra vez com o próprio corpo. Há muitos anos não achava um homem bonito, atraente, um que a fizesse perder o controle e fazer seu coração disparar e o estômago ficar gelado só de lembrar-se do olhar dele. Deu um longo suspiro. Repreendeu-se pelo rumo que sua imaginação e sentimentos estavam caminhando. Mesmo que seu marido tivesse desaparecido há doze anos, ela ainda era casada com ele e permaneceria assim. Uma senhora casada e mãe de duas filhas. Não era mais uma adolescente com tempo e liberdade para se iludir. 
Passou a mão nos cabelos fazendo um coque e olhou para a pasta preta em seu colo. Respirou fundo como se ali estivesse uma arca com um tesouro desconhecido pela humanidade. 
“Como irei encontrá-lo novamente para devolver sua pasta, Dr. Alberto?” Disse em voz baixa abrindo a pasta.

Por Rosane Siqueira Carneiro dos Reis

Maria Elis abriu a pasta e foi olhando dentro dos compartimentos em busca de um cartão de visita do doutor Alberto. Ao encontrar deu um grito de felicidade.
Encontrei. Uma de suas filhas ao ouvir veio a lhe perguntar,
- O que encontrou mãe?
- Foi o cartão de visita do doutor Alberto. Falou meio sem graça pela euforia. Vou ligar para ele para lhe entregar sua pasta, acredito que esteja fazendo falta já que aqui tem muitos documentos processuais.
No dia seguinte, Maria Elis ao acordar, a primeira coisa que lhe lembrou foi que iria ligar para o advogado, mas logo veio aquele frio na barriga...
Estava sem celular, então ligaria do fixo de sua casa. Discou o número ansiosa, chamou algumas vezes, mas ele não atendeu. Pensou será que aconteceu alguma coisa. Quis ligar novamente, mas para não se atrasar, na hora do almoço iria comprar um celular e ligaria, assim ficaria registrado seu número no celular dele, saindo apressada com um sorriso no olhar.
Em pensamento, ficou a devagar como seria encontrar o Dr. Alberto novamente, assim, se arrumou, colocou uma roupa elegante que lhe caia muito bem, maquiou, olhou no espelho e se achou muito bonita, estava feliz. 
Suas filhas já estavam prontas, ficaram admiradas quando ela saiu do quarto, e Beatriz falou:
- Nossa mãe! Hoje a senhora está linda tem que ficar assim sempre, olha o tanto que a senhora é bonita.
Completou Aline carinhosamente
- Verdade mamãe querida! É bonita, jovem, iremos te ajudar a se cuidar mais. 
Maria Elis as abraçou e falou.
-Juntas filhas, podemos enfrentar as dificuldades, achar solução e ainda sermos mulheres forte e lindas. Amo vocês.
Tomaram café, saíram e deixaram a caçula no colégio, em logo chegaram pontualmente no escritório. Chegando lá estava com sua agenda cheia com muito compromisso, diversas ligações, mas sempre com pensamento no doutor Alberto e na certeza de que a qualquer momento poderiam se encontrar, concluiu que deveria se cuidar mais, estar sempre bem arrumada, elegante, como suas filhas falaram. Desta forma deve ser uma mulher bem-sucedida, pronta para enfrentar os desafios do mundo atual. Então suspirou. O dever me chama. Fez tudo que tinha que fazer na parte da manhã dentro do escritório, logo chegou a hora do almoço. 
E ela pegou o carro e foi com Beatriz buscar Aline na escola para almoçar, percorreu a Avenida São Paulo olhando os canteiros floridos de sua bela cidade, alguns bancos de madeira que dava até vontade de se sentar um pouquinho, logo adentrou a Br-153, que corta a cidade e que as suas margens chegaram o progresso primórdio do município. Viu o hotel 10, pensou: Um dia quero conhecê-lo ... Chegou no centro de Aparecida e foram almoçar no Fernandos restaurante, onde no cardápio tinha um arroz com pequi delicioso e suco de graviola. Almoçaram, Beatriz foi para a escola e Aline ficou sentada na Praça da Matriz tomando um sorvete até Maria Alice comprar o celular em uma das lojas ali próximas. Logo encontrou o celular que precisava, comprou o chip e já foi organizando. Primeiro ligou para suas filhas falando que já estava com o celular novo, agora se elas precisassem já poderiam ligar.
Em seguida ligou para o doutor Alberto,
- Boa tarde. Aqui e a Doutora Maria Elis . Tenho que lhe entregar sua pasta que ficou em meu carro.
- Que bom ouvir sua voz, coisa boa, estou precisando mesmo de uns documentos que estão aí dentro da pasta. Vamos marcar para nos encontrar aí você me entrega. Respondeu Doutor Alberto.
- Sim, onde?
-Estou na correria estes dias, mais irei na quadrilha da OAB no final de semana. Você vai? O que acha? Nos encontramos lá e já aproveitar a quadrilha.
Maria Elis ficou toda feliz, logo foi falando:
- Irei sim. Combinado, encontraremos lá. Boa semana para você.
Empolgada Maria Elis logo lembrou. Tenho que ir atrás das roupas para as festas juninas das meninas, pois dançarão na escola, aproveito e compro uma pra mim também. Assim fizeram, após o expediente foram até uma loja de roupas juninas com risos, compraram trajes bonitos e representativos de caipiras modernas.
A semana foi produtiva, logo chegou o dia da quadrilha no estacionamento da OAB em frente ao Fórum Central na Avenida de Furnas no Setor Araguaia. As meninas disseram estar cansadas e que não queriam ir. Maria Elis entendeu que elas queriam que se divertisse um pouco sozinha, estava linda, a caráter, com um vestido rodado bem colorido, trancinhas no cabelo, uma maquiagem de pintinhas no rosto como se lembrava das moças nas quadrilhas tradicionais da cidade. 
Chegando, encontrou suas colegas de trabalho, elas a elogiaram, mas sempre com a cabeça no doutor Alberto. A festa estava animada tinha várias barracas de comidas típicas, o local todo enfeitado, música animada. Ao longe ele a avistara, estava conversando com outros advogados, lhe sorriu e veio ao seu encontro. Maria Elis ficou toda sem jeito, mas o cumprimentou com um lindo sorriso, prontamente retribuído. 
Ele a convidou para irem sentarem na sua mesa. Elogiou dizendo que estava muito linda naquele vestido. Ela respondeu reciprocamente: Você também e um belo caipira! Conversaram um pouco, tomando uma caipirinha. Logo também seus sócios se juntaram a eles, as vezes olhavam curiosos, mas satisfeitos por Maria Elis ter tomado a decisão de continuar a viver como todas as pessoas, enfim não ficar somente apegada a lembranças. Viver o hoje.
Em seguida o presidente da subseção de Aparecida de Goiânia Francisco Sena da Silva foi agradecer a todos os colegas pela presença, já chamando para se organizarem para ter a quadrilha.
Olhando aquelas pessoas se organizando para dançar, Maria Elis se deparou com lembranças boas, de sua infância e mocidade “participava das festas juninas nas ruas de Aparecida de Goiânia. A quadrilha tradicional do Salão Paroquial no Centro, na linda Pracinha da Matriz, a quadrilha da Dona Nilmari na associação de catireiros , da Escola O pequenino e do Colégio Estadual Machado de Assis, onde estudara, Os festivais de quadrilha moderna, com os dançarinos com aquela alegria e várias pessoas dançando também...Nem ouviu o doutor Alberto falar:
- Doutora. Maria Elis você aceita dançar comigo? Ele perguntou novamente e ela nem pensou muito, já foi aceitando. E foi uma quadrilha, improvisada, mas animada.
Após muito sorrisos e brincadeiras Maria Elis fala:
- Tenho que ir embora mais cedo pois amanhã é domingo e as minhas filhas irão dançar quadrinha na escola delas. Ele perguntou: Em qual escola elas estudam? Ela responde: Dom. Pedro I. Ele logo falou: Estudei nesta escola, que bom que eles continuam com essa tradição.
Vamos, vou te levar até ao carro aí já pegarei minha pasta.
Chegando no carro ele educadamente foi abrindo a porta e ela ficou meia receosa, logo pegou a pasta para lhe entregar.
A noite estava linda, no céu estrelas, propícia a romances, então quando ela lhe entregou a pasta, ele pegou na sua mão, puxou dando-lhe um abraço e em sequência roubou-lhe um beijo. Maria Elis se rendeu aos seus encantos retribuindo aquele beijo carinhoso em uma noite de luar.
Se despediu e combinaram que outro dia se encontrariam, ela foi embora pensativa. 
Nossa! não poderia ter feito isso, beijado o doutor Alberto, sou uma mulher casada. Mas ao mesmo tempo se perguntou novamente. 
Meu marido, onde anda meu marido, já tem quantos anos que sumiu, nenhuma notícia, nada... tenho que aproveitar a minha vida talvez Deus está me dando uma nova oportunidade de ser feliz.
Ele dirigindo lentamente atrás dela sem ela perceber, até que ela entrou em seu condomínio. Ele foi embora também pensativo. Esta e uma mulher incrível, tenho que conhecê-la melhor, mas não posso magoá-la. Acho que encontrei uma mulher que me fará feliz, quero viver e ter alguém do meu lado. Maria Elis...
Chegando em sua casa, já deitada em seu quarto, lembrou muitas coisas de sua vida, das mudanças recentes, pensou novamente na decisão que tomaria, iria viver a vida e não iria mais ficar aguardando seu marido Ricardo, iria protocolar seu divórcio e no futuro contratar um detetive para saber onde Ricardo andou, apenas por amor as minhas filhas. 
Esperei muito, fui fiel estes anos todos, não estava fazendo nada errado, sou uma mulher com sonhos, desejos, como tantas, foi muito bom o passado, mas o futuro.
E o futuro pode ser promissor...

Por Cícera de Fátima Dantas da Costa

Maria Elis fala: eu mereço um futuro promissor, agora já estou estabilizada, tudo está dando certo!
Em seu pensamento ela agradece pelas aportunidades que teve na vida. 
Começa a pensar, lembra da noite maravilhosa, como foi divertido dançar com o doutor Alberto!
Fazia muito tempo que não me divertia tanto, foi uma noite muito divertida! Seu pensamento parecia voar, várias ideias vem a sua cabeça, momento de felicidade, a vida direciona ao novo horizonte, uma atmosfera de paixão, será que eu estou gostando do doutor Alberto? Mas minha consciência está tranquila, sou uma mulher honrada, vou tratar de resolver meu divórcio, e dar um novo rumo a minha vida. Viver um pouco o presente! Já que passou tanto tempo esperando seu marido Ricardo. 
Maria Elis lembra: Amanhã cedo tenho muitos compromissos no escritório vou dormir! E logo adormece. Parece que a noite foi pequena mas ela estava feliz igual uma criança sonhando acordada, ela adormeceu, só acordou pelo celular tocando, ela fala: um número desconhecido quem será?
Alô bom dia!
_ Doutora Maria Elis ! _ Aqui é o porteiro do seu prédio. Se encontra aqui na portaria um mensageiro ele quer ir ao seu apartamento, a senhorita autoriza ele subir? Sim pode subir.
Maria Elis se pergunta: Mas será o que se trata? Não estou esperando ninguém!
Mas quero ver o que é, logo bate a porta, toc toc .... Maria pergunta que é?
Uma voz responde _ Doutora Maria Elis sou eu, o mensageiro!
Ela fala: Só um momento! Abre a porta e tem uma bela surpresa, sai do seus lábios pouco aberto um sorriso em meio a surpresa, ela ficou perplexa, um buquê de rosas vermelhas! Meu Deus são lindas!
O mensageiro fala: É pra senhorita.
Muito obrigada!
Maria Elis olha tem um cartão e nele estava escrito uma mensagem linda! Assinado pelo um admirador secreto,
Maria Elis se pergunta: Quem será que me mandou essas flores?
Porque não colocou o nome?
Será que foi o doutor Alberto?
Será que foi o Ricardo?
Em uma noite de domingo as filhas de Maria Elis chamam a mãe para ir à feira no centro histórico da Praça Matriz de Aparecida de Goiânia. Mamãe vamos a feirinha comer um pastel de carne com gueroba? E sua irmã fala: eu prefiro um macarrão! Aquele macarrão é uma delícia! Maria Elis fala: Será que hoje tem pamonha à moda com jiló e linguiça? Eu adoro! Maria Elis se arruma passa maquiagem, pega sua bolsa e em seguida as três vão para feira, ao chegar lá elas logo sentaram na mesa, logo sua filha Beatriz, puxando seu braço, fala baixinho: Olha quem está ali na outra mesa? Não é o doutor... aquele que estava na festa junina?
Maria Elis fica surpresa: é ele mesmo! Mas na mesma mesa junto com o doutor Alberto tinha uma mulher bem mais jovem, com aparência muito elegante, cabelos loiros e os dois conversavam e davam risadas enquanto comiam pastéis.
Nesse momento o garçom chega à mesa e fala:
Moças, boa noite! E logo entrega o cardápio.
Maria Elis estava perplexa com aquela situação, parecia não acreditar que aquele homem que em outro dia trocara carícias, estava com outra!
Mil coisas passavam pela sua cabeça, muitas perguntas sem respostas. Será que eu devo ir lá conprimentar o doutor Alberto ou não? Se for a namorada dele? Pois há dias não nos falamos! Será que ele perdeu meu número de telefone? Ou não se lembra do sabor do meu beijo? Maria Elis parecia estar muito distante com olhar fixo na mesa do doutor, com a mão no rosto, boca aberta e uma ruga na sua testa, uma expressão de preocupação. A mão gelada, coração palpitante, a ponto de sofrer um infarto.
Sua filha mais nova fala:
Mãe você está bem? 
Ela responde: Sim, só um ligeiro mal-estar! Não estou me sentindo bem. 
Mãe, mas você estava tão animada para comer pastel?
Eu queria pamonha, e agora eu perdi a fome minha filha!
O garçom fala: O pastel está uma delícia!
Maria Elis fala: Nós voltamos outro dia, realmente hoje não vai dar.
A filha Beatriz fala: Mãe, estou com fome e a filha mais velha Aline ... vamos embora a mamãe está passando mal. Pode ser que a pressão dela subiu, próximo domingo a gente vem de novo e pronto.
Logo elas saíram dali e sem que o doutor veja, pois estava muito envolvido na conversa com a mulher que estava em sua mesa...

Por Cristina Barbosa Braga

Maria Elis já tinha determinado e mudado o rumo da sua história após ter visto o doutor Alberto na feira conversando com outra mulher. Decidiu seguir em frente e viver com suas filhas, afinal ela sempre foi uma mulher forte que nunca desistiu de lutar.
Uma mulher abençoada profissionalmente e com filhas muito bem educadas, Maria Elis sentia falta de um companheiro em sua vida, porém com a cabeça erguida pensava que a vida não poderia parar, pois é como uma roda onde existem dias em que estamos em cima e em outros já estamos embaixo, todavia, o importante é jamais desistir dos sonhos, assim vivia Maria Elis.
​Perdida em seus pensamentos ela havia se esquecido que essa era a semana do meio ambiente e que iria a uma conferência sobre urbanização em sua cidade mesmo, Aparecida de Goiânia. Prontamente se levantou de sua cadeira do escritório e foi para conferência. 
​O preletor da reunião discutia sobre a importância da área verde nas cidades e que o município de Aparecida de Goiânia iria implantar um “Programa Cidades Verdes” no qual se criaria um Viveiro Cerrado com o objetivo de produzir e distribuir de forma assistida e gratuita mudas deste  bioma  a fim de serem plantadas na área urbana da cidade. Além da criação de um espaço de convivência para serem desenvolvidas atividades de educação ambiental. 
Que bom! Pensou Maria Elis, o município realmente precisa de políticas públicas voltadas para preservação das áreas verdes e arborização.
_ Mãe, a Senhora chegou mais tarde! Disse Aline ao perceber que sua mãe havia chegado.
_ Ô, Aline, fui a uma conferência sobre urbanização, com destaque a áreas verdes e arborização aqui para nossa cidade e esqueci de avisar que iria demorar. 
_Que legal, mãe! Disse Beatriz ao ouvir a conversa das duas. _ Tomara que esse projeto seja executado e assim Aparecida se torne uma cidade ainda mais bonita.
_ Meninas, amanhã iremos aproveitar o feriado municipal e que tal conhecermos o Parque Lafaiete? É aquele que fica próximo ao Serviço Social da Indústria (SESI) e do Colégio Estadual Jesus Conceição Leal. Esse parque é muito bonito! Já vi alguns eventos bacanas acontecerem ali.
_Vamos mamãe. Respondeu Aline.
_ Sim, amanhã cedo então! Hoje quero apenas tomar um banho, assistir um bom filme com vocês e comer aquela deliciosa pipoca que a Aline faz. Já que podemos acordar mais tarde, afinal de contas amanhã é feriado. 
No dia seguinte tomaram juntas um delicioso café da manhã, arrumaram as coisas e foram conhecer de perto o parque Lafaiete.
​Ao chegarem no parque Aline ficou admirada, pois passava por ele quase todos os dias mas nunca o conhecera de perto. Ele é simplesmente lindo, um parque com árvores nativas do Cerrado, ponte sobre o córrego. Bem próximo há também um belo parquinho para as crianças se divertirem, além de uma mina d’água potável. 
_ Mãe que lugar agradável e bonito! Disse Aline perplexa. Academia ao ar livre, pista para fazer caminhada e ainda árvores frondosas para quem desejar fazer aquele maravilhoso piquenique.
_Nossa, como a nossa cidade é bonita! Distraída observando o Parque e ouvindo Aline falar enquanto Beatriz andava de patins, nem percebeu quando o Dr. Alberto passou bem perto dela com uma mulher jovem. 
_Maria Elis! Falou Dr. Alberto surpreso. Que bom revê-la! Porque não me ligou? Ah, te esqueci de apresentar, esta é Débora minha filha.
_Prazer em conhecê-la. Meu pai não parava de falar da senhora  Ele perdeu o celular e alguns contatos e, por azar, um deles era o seu.
Maria Elis não sabia o que falar, pois achava que Dr. Alberto havia lhe esquecido. _Essas são minhas filhas,  Débora.
_Já sei: Aline e Beatriz, meu pai havia me falado sobre elas. São realmente bonitas!
Até mandei um buquê de flores! Bem que falei para o meu pai que deveria ter se identificado.
Maria Elis e Alberto sentaram-se em um banco cimentado embaixo de uma árvore enquanto as meninas foram caminhar no parque.
_ Sempre venho aqui, mas nunca te vi, me sinto muito feliz em revê-la.
Maria Elis estava sem palavras não sabia como reagir, pois passou um bom tempo achando que a filha de Alberto pudesse ser sua namorada.
Alberto diz: _ O que você irá fazer amanhã, Maria Elis? Estou pensando em fazer uma caminhada com os meus amigos. Vamos?
_ Aonde você vai caminhar? Perguntou Maria Elis.
_ Na Serra das Areias, com meus amigos, para conhecer, distrair um pouco e sair da rotina.
Antes de Maria Elis responder, Dr. Alberto respondeu.
_ Nem precisa responder, amanhã passo em sua casa, agora você não me escapa, vou pegar o número do seu celular. Olha! Lá vêm as meninas, tenho que ir embora, pois levarei a Débora embora ainda hoje para casa da mãe dela. 
Eles se despediram e todos foram para suas casas.
​Maria Elis nem sabia o que pensar, seus sentimentos estavam a flor da pele, ficaram desconcertados, um misto de alegria e ao mesmo tempo medo de entrar em um novo relacionamento. 
No outro dia cedo Dr Alberto pegou Maria Elis em sua casa e foram para o Parque Municipal Serra da Areia onde um guia orientava todo o trajeto dos visitantes.
O guia fazia parte da “Brigada de Salvamento Florestal Ambiental Anjos Verdes”, é uma ONG que tem como um dos seus objetivos proteger o lugar.
Havia muitas pessoas naquele dia, pois era uma caminhada ecológica em prol do meio ambiente. 
O guia ia explicando sobre a história da Serra das Areias onde há muitas grutas, cachoeiras, matas preservadas, animais, frutos do cerrado, e também plantas medicinais. Mas infelizmente há também uma grande degradação feita pelo homem como o desmatamento e algumas trilhas marcadas pelos ciclistas e motociclistas que passam por ali.
O desmatamento provoca erosões e o assoreamento dos córregos, podendo até deixar de existir, caso não seja feito um reflorestamento e uma fiscalização mais rigorosa no local, explicou o guia.
​Todos estavam muito felizes, era muita subida e descida, era realmente um turismo de aventura. Mas com a companhia do Dr. Alberto tudo ficava mais belo, Maria Elis tinha uma sensação de prazer que nem sentia o cansaço devido à falta de preparo físico. 
Chegaram a uma cachoeira, lancharam e a maioria foi tomar banho na cachoeira. Maria Elis e Alberto ficaram conversando e apreciando a beleza natural da Serra da Areia e de repente Dr. Alberto a beija e diz:
_ Gostaria de te conhecer melhor.
De repente, o guia anuncia que todos precisam voltar porque já estava ficando tarde.
Ao chegar em casa, as filhas já estavam na portaria a espera de Maria Elis.
_ Mãe que saudade! Diz Aline.
_Só fiquei algumas horas fora de casa, respondeu ela. Alberto se despediu e disse que ligaria outro dia para saírem novamente.

Por Maria Correia Belo

Mas Alberto não ligou. 
Aliás, pobre Alberto. Ao voltar para casa, feliz e cantarolando, foi surpreendido por dois rapazes. Alberto se assustou, porém, não quis correr! Alberto foi cruelmente espancado e depois roubado.
Isso não poderia ter acontecido. Alberto estava tão feliz! Ele disse a Maria Elis que ligaria para marcar um encontro. Mas aqueles rapazes eram delinquentes sustentados pelos roubos que praticavam.
Enquanto ele sofria as dores das agressões Maria Elis se preocupou porque Alberto não havia ligado! Parecia tão carinhoso e amável! De repente se ouve a campainha. Assustada ela fala sozinha:
Não estou esperando ninguém, não vou abrir a porta.
Naquela noite Maria Elis não dormiu. Quando amanheceu Aline abriu a porta e se deparou com um bilhete:
Ué?! Um bilhete?
Maria Elis ficou nervosa e começou a roer as unhas, as mãos frias, arrependida por não ter aberto a porta na noite anterior. Não teve coragem de abrir o bilhete. Pediu para Aline ler o bilhete para ela.
Aline começou a ler, fez uma pausa, olhou para a mãe e calou-se. Preocupada com que poderia acontecer, ela disse:
Mamãe conteceu algo ruim com Alberto! 
Com Alberto? 
Sim, mamãe, ele sofreu um assalto! Os ladrões espancaram e levaram todos os seus pertences.
Verdade minha filha? Foi por isso que ele não me ligou! Coitado do Alberto! Quem será que trouxe o bilhete?
Meu Deus!
Preciso vê-lo. 
Mas isso não é possível mãe, se ao menos soubesse onde ele se encontra.
Não podemos ficar aqui paradas! Vamos até a delegacia, lá deve ter algum registro, alguma ocorrência!
Chegando na delegacia, perguntaram a um policial se no fim da tarde ou na noite anterior haviam registrado alguma ocorrência em nome do senhor Alberto Daher. O policial, revirando alguns papéis perguntou que tipo de ocorrência.
Maria Elis disse que ela e o “amigo” haviam passado a tarde do domingo juntos, na volta se despediram, ele foi embora, mas que tinha recebido um bilhete dizendo que Alberto, ao passar pela praça quase em frente à Igreja de Nossa Senhora Aparecida, havia sido assaltado.
Aquele policial olhou para ela, e continuou a procurar as ocorrências das últimas 24 horas. Alí estava o documento, entre tantos outros. Foi um susto! O policial disse que ele havia sido socorrido pelos bombeiros e levado para o hospital São Silvestre. 
Então senhor polícial, em que estado ele se encontra? Ele está bem?
Pela situação em que foi encontrado parece que é gravíssimo. Se a senhora for rápida, quem sabe poderá encontrá-lo com vida.
Outro policial viu como ela estava aflita, e decidiu ajudá-la.
Senhora, pode ser que ele esteja grave, mas o hospital São Silvestre tem os melhores médicos, e é referência em Aparecida. Tenha calma! Não pense no pior!
Maria Elis entra no carro muito nervosa para dirigir. O policial vendo seu desequilíbrio, sugere que ela pegue um táxi. Ela agradece a preocupação, e diz que não será preciso, e que vai ficar uns minutos parada, para se acalmar. E logo que se sente melhor, segue para o hospital. No trajeto pensa no dia dos namorados, e já faz planos sobre onde comprará um presente para seu novo amor!
Maria Elis volta à realidade e se pega pensando! Como me identificar? Não sou sua mãe, não sou sua esposa, sou apenas uma mulher sozinha de um marido sumido e que viveu até agora na esperança de que meu marido voltasse, mas agora só pretende saber notícias dele, pelas suas filhas.
Já se faz muitos anos, que vivia nesta espera! 
Alberto estava realmente mal, muito mal! Havia fraturado o queixo e o nariz, e tinha vários hematomas por todo o corpo. Chegando ao hospital e sabendo que, apesar de tantos machucados, Alberto logo ficará bem, saí dali, pois ele se encontrava na UTI.
Maria Elis chega em casa, no seu apartamento no Parque América, e decide com as filhas que iria comprar um lindo presente para Alberto no setor Garavelo, afinal lá existem muitas lojas na Avenida Igualdade e assim terá como passear para escolher entre as muitas opções um ...

Por Edivânio Honorato

_Um lindo presente!
_Bom dia mãe! Pensei que a senhora estava acordada! Escutei a palavra presente! Exclamou Aline olhando para o semblante cansado de Maria Elis, que nem dormira direito pensando em Alberto internado naquele hospital.
​_Vamos nos vestir e tomar um café rápido, pois temos muitas coisas pra fazermos hoje! Sua irmã já acordou?
​Maria Elis tomou banho, vestiu-se rapidamente, nem se preocupou tanto com a maquiagem, estava muito preocupada e foi fazer um café. Comeu um pedaço de bolo junto com as filhas, os amores da sua vida, e já partiu para mais um dia de batalha. Mas antes deixou as filhas no colégio.
​_Tchau filhas!
​_Mãe não esqueça que vou à palestra lá na Unifan!
​Aquela manhã de trabalho parece que voou, passou tão rápido, tanta coisa que Maria Elis tinha que fazer, mas seus pensamentos ligados em Alberto não a deixaram fixar no trabalho, queria ter notícias dele, mas também não poderia ficar ligando toda hora para a filha dele.
​Terminada a reunião com o Dr. Bruno, Maria Elis pegou o carro e fora buscar sua filha no colégio e ainda tinha que ir buscar Beatriz que estava na palestra na Faculdade Alfredo Nasser.
​_Oi filha, como foi a palestra?
​_Foi ótima mãe, respondeu Beatriz com um grande entusiasmo no rosto. Quero estudar aqui! Tem muitos cursos bons. Agora vamos ao Buriti Shopping almoçar?
​_Não, exclamou Aline! Mamãe prometeu que hoje iríamos almoçar e fazer compras no Garavelo, até já combinei com a tia para nos encontrar lá.
​_Há não! Eu também tinha combinado com umas amigas que iríamos para o shopping.
​_Parem já com essa briga entre vocês, vamos seguir com o nosso cronograma! E assim, Maria Elis seguiu dirigindo pelas ruas de Aparecida passando pela Avenida São Paulo e observando o quanto aquela região mudara nos últimos anos, depois da inauguração em 2005 do novo Centro de tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE), naturalmente conhecido como correios da Vila Brasília. _Me lembro muito bem quando eu passava por aqui, naquele transporte coletivo lotado no fim do dia, era uma grande rotatória, parecia que ônibus iria tombar quando fazia a curva. Depois, com o aumento de carros e acidentes resolveram colocar semáforos. Agora, olha só que beleza ficou este Viaduto da Vila Brasília. Com estas obras de artes pintadas em suas paredes laterais e o trânsito fluindo tranquilamente. Como é bom o progresso!
​_Mãe o nome desse viaduto é João Antônio Borges? Procurou Aline.
Depois de uma tarde cansativa de almoço, sorvete e passar por várias lojas da Avenida Igualdade no Setor Garavelo até achar o presente de Alberto. Pelo menos uma boa notícia ela tinha recebido, ele já estava bem melhor. Maria Elis toma seu banho feliz e pensativa. Será que Alberto seria seu novo amor? E se o desaparecido voltar um dia para atormentar sua felicidade? Foi ele que a abandonou? Já deitada em sua cama, pensava ela que Ricardo poderia aparecer,qualquer dia, do nada.

Por Amanda Cardoso da Silva

O dia começou com um céu nublado e o coração de Maria Elis estava inquieto, ao fazer o café da manhã sua voz interior não parava de falar. As meninas que já tinham percebido, falavam sobre a situação dela : 
-Mamãe está um pouco estranha hoje, você não acha? -questionou a mais velha
-Sim, acho que é por causa do Sr. Alberto que ainda não saiu do hospital. -a caçula ficou pensativa de repente 
-Eii, tive uma idéia, poderiamos levar mamãe no Parque da Criança aqui em Aparecida! 
-É uma ótima ideia! Vou falar com ela -disse Aline 
-Também vou. 
As duas se deslocam até a sala, Maria Elis olhava para a TV a sua frente, mas parecia estar em outro lugar. 
-Mãezinha... 
Beatriz chamou-lhe a atenção 
-Oi filha -disse ela saindo de seu transe 
-A gente queria sair, a senhora está muito distante hoje, vamos pra algum lugar legal?Vai ser bom se distrair um pouco, por favor mãe! - pediu a menina com carinho
-Você está certa minha filha, onde vocês desejam ir? 
-Ao parque da Criança... 
-Aqui em Aparecida, no setor Mansões Paraíso -completou a frase da outra 
-Vejo que estão animadas, então vamos! Podem ir se arrumar. 
As garotas correm pros quartos eufóricas. Maria Elis se dirige pro quarto, olha em seu guarda roupas e escolhe um vestido azul claro, soltinho e uma sapatilha rosa bebê. Sem demorar toma seu banho, solta os cabelos após finalizá- los , se veste, passa um brilho nos lábios, e ao se observar no espelho, percebe o quanto pode ser bonita de forma simples . 
-Vamos meninas! -diz ao entrar na sala e fica surpresa ao ver as duas arrumadas e sorridentes na espera. 
Após fazer a rota que tanto conhecia, para o carro em frente ao local destinado, abre a porta sente a brisa fresca e o sol que já havia dado as caras. Ao olhar, percebe as crianças, as famílias brincando na grama e os brinquedos cheio de meninos. 
Resolve se sentar na grama com as suas meninas,logo, seu olhar brilha ao ver de longe um carrinho cheio de comidas típicas de festa junina. Era claramente uma amante de comidas de festa junina. 
-Meninas, olhem! -aponta pro carrinho colorido e elas ficam felizes ao ver. 
Cúmplices, correm até alcançar o mesmo. Ao chegar perto são logo embriagadas pelo cheiro de pipoca. 
-Boa tarde vocês vão querer levar alguma coisa? -disse o vendedor sorridente
Após observarem as delícias cada uma escolhe a sua comida típica predileta. 
A cada pedaço de pamonha que comia, Maria Elis se sentia feliz ao relembrar da infância e das gostosuras que sua mãe cozinhava. Cada momento era único, e estar ali com suas filhas também, decidiu que aproveitaria bem cada segundo naquele lugar. E sentindo o vento, a mesma torcia em seu íntimo para que Alberto estivesse melhor, esperava também por dias melhores. Por alguma razão sentia que coisas boas estavam prestes a acontecer.

Por Inêz Carolina

No final do dia ao sair do parque, Maria Elis tem uma excelente notícia, Sr. Alberto está se recuperando bem e logo voltará para casa. 
O inverno finalmente chegou. Maria Elis apesar do frio, gostava muito desta estação do ano. Era nesta época, em que ela colocava em desfile seus blazers elegantes e quentinhos, demonstrando a força da mulher que lutou, buscou e conseguiu estar na posição em que alcançara, com beleza única e inteligência singular que aprendeu que a grama verdinha é a da casa dela e não a do vizinho, como diz o ditado popular e que devemos valorizar nossa vida e acreditar que tudo dará certo. Após dois dias, Sr. Alberto recebe alta, neste sentido, ela liga para ele e marca de visitá-lo, que apesar da situação ruim pelo que passou, ele se sente feliz e confortável em recebê-la. 
No dia da visita, ela escolhe o melhor casaco, pois, pelas manhãs o frio tem sido mais intenso. Chegando a casa do advogado, ela fica surpresa com a recepção, apesar de tudo que passou, ele pede para a secretária preparar um café da manhã recheado de quitutes saborosos que Maria Elis aprecia muito. 
-- Olá Srº Alberto, bom dia! 
-- Olá Drª Maria Elis, sua presença é muito bem vinda em minha casa entre e fique à vontade. -- Por favor Maria Elis, sem cerimônia, me chame de Alberto, posso chamá-la pelo nome?
-- Claro Alberto!
Os dois conversam por um bom tempo, falam de vários assuntos, do trabalho, do mundo espetacular da advocacia, de família, Alberto até conta para ela sobre sua vontade de construir um escritório em um terreno que ele possui no Buriti Sereno - maior setor do Município de Aparecida de Goiânia e um dos maiores da América Latina. 
-- Nosso diálogo está ótimo Alberto, mas, preciso ir, tenho compromissos.
-- Maria Elis, volte logo, sua companhia me fez bem, já me sinto melhor, precisamos conversar e marcar um novo encontro, mas, agora aqui sob a segurança da minha casa.
Eles se despedem, com um longo abraço e um beijo afetuoso nos rostos, ela volta para casa, pensativa e com uma importante decisão tomada.

Por Elisângela Dantas da Costa Silva

Maria Elis está feliz  com o restabelecimento de Alberto. , chega  toma um banho, passa uma loção no corpo, escuta o toque do telefone, Um número desconhecido. Ela pensa quem poderia ser.

  • Alô,  quem fala?

- Sou eu, a filha do doutor Alberto. Estou te ligando a pedido que meu pai, pois ele quer marcar com você um pra te levar pra conhecer o terreno que ele tem no Buriti Sereno.

- Nossa,  que maravilha! Diga a ele que irei com prazer! Fico muito feliz em saber que ele esta animado, é sinal de que está bem. Fala pra ele que poderá ser no próximo final de semana, assim dará tempo para ele estar melhor!

- Obrigada!

No outro dia Maria Elis vai pra o escritório, pois tem vários compromissos.

Ao sair do escritório, a caminho de sua casa, Aline diz:

  • Mamãe, estava esquecendo de comentar, hoje atendi um cliente que foi ao escritório, um senhor, Sr. André,  que mora no próximo ao polo  industrial da avenida Rio Verde e conversamos muito sobre o quanto Aparecida tem se desenvolvido. Falei com ele sobre o polo industrial daqui de perto de nossa casa. Gostei muito de conversar com ele.

  • - Que bom ,filha!

  • Ah, o doutor Bruno pediu pra falar com o Sr. André sobre a audiência, que foi marcada pra próxima semana, tentei falar com ele, mas o telefone dele só dá na caixa de mensagem.

 - Filha, pega o endereço que passamos lá.

- Mãe,  é no setor Buriti Sereno.

- Ótimo, amanhã  vamos lá!

No dia seguinte Aline pega o endereço direitinho e elas vão.

 Maria Elis Diz:

  • Vou  ligar o GPS, esse setor é realmente muito grande. Filha, o senhor,  falou algum ponto de referência?

-Sim, ele mora na  Avenida Rio Verde, próximo à praça José Alfaix.

- Tá fácil, já passei  em frente a essa  praça!

Maria Elis percebeu que Beatriz estava o tempo todo   pensativa.

  • Beatriz, você não vai falar nada?

Aline também pergunta:

  • O que foi, mana? Você está o tempo todo calada, sem reação…  Um pouco distante?

- Estou aqui pensando. Aline,  acabei  me distraindo olhado essa chuva maravilhosa. Olha que lindo os raios do sol! Você  está vendo um arco-íris? Tem uma combinação de cores muito linda! A natureza é incrível, perfeita.

- Filha, meu celular acabou a bateria. Mas vamos assim mesmo. Ainda bem que sei onde é esta praça.

A chuva estava  muito intensa, e elas se distraíram  olhado a beleza do arco-íris, e perceberam que o espetáculo que viam era sentido Parque da Serra das  Areias.

  • Filhas, esse parque é lindo! Ele tem 13 nascentes de água cristalina, e também tem cachoeiras naturais. Obra da natureza. É um lugar mágico para descansar.

Aline:

  • Então vamos lá pra contemplar esse lugar bem pertinho?

- Não filha está chovendo. Vamos marcar pra ir domingo, vamos fazer um piquenique, debaixo das árvores gigantes, e vamos ficar o dia todo conteplando  esse lugar lindo! É muito bom pra descansar, sentir a brisa do vento  bater no rosto, sentir o perfume das flores, o cheiro da natureza. Sentir o ar puro, contemplar a  beleza da natureza traz leveza a alma, paz. Os pensamentos fluem ... Uma energia muito boa.  Não  sei nem explicar.

Com a chuva mais amena Aline disse:

  • Mamãe, olha que lindo: os raios do pôr do Sol coloriram a vegetação!  Esse lugar é magnífico!

- Sim, filha, muito bonito! Vamos pra casa,  o celular descarregou, já falamos com o Sr. André  e está tarde.

Chegou o final de semana.  Maria Elis foi à casa de Alberto e que a levou para conhecer o terreno.  Ela se encanta. É  um terreno grande, de esquina e em local bem habitado. Os dois saem dalí e Alberto, de novo, fala  em construir um sobrado.  Mas, antes de concluir a frase, ele diz que quer construir aquele sobrado assim que colocar  uma aliança no dedo de Maria Elis...

Por Maria de Fátima da Silva

O mês de maio era o mais propício para a tão sonhada data: o dia do casamento de Maria Elis!!!!! Mês de Maria, mês das mães, mês do sonho virar realidade....
E finalmente havia chegado o grande dia do casamento, o dia que Deus cobriria essa nova família com as bençãos dos céus!
Durante a semana foi uma correria só: ajuste de roupas, noivo, vestido de noiva, pais, damas, madrinhas e padrinhos, corre daqui, corre dali, para que tudo ficasse perfeito.
E o local da cerimônia??? Ah! vocês não podem imaginar o cuidado e o carinho que a Chácara de Eventos Raio de Luz, situada nas proximidades da fábrica da Mabel foi escolhida para acolher os convidados nesse momento tão especial. 
A família toda reunida, parentes vindos de outras cidades, celebrante, flores, bolo, alegria. 
O tempo estava perfeito, temperatura agradável que reforçava os bons sentimentos que pairavam no ar.
A cerimônia estava marcada para às 20hs, e pontualmente, o noivo adentrou o ambiente em seu belíssimo traje cinza/prata. As cores usadas para a decoração foram laranja e prata. As madrinhas lindas e maravilhosas em seus reluzentes vestidos com bordados alaranjados e os padrinhos com pequenos lenços no bolso do casaco, combinando com suas damas. A decoração exibia arranjos suntuosos de flores em tons mesclados de laranja, folhagens verdes e grandes laços de fita de cetim prata. A mesa do bolo estava espetacularmente linda: um enorme bolo de três andares, os bem - casados e o champagne para o brinde dos noivos. Tudo perfeito, tudo maravilhoso!
E seguindo a tradição, a noiva atrasou um pouquinho. Mas valeu a pena!!! Quando ela surgiu , parecia uma princesa de um conto de fadas, em um maravilhoso vestido de seda branca, renda, pérolas e cristais. Belíssima carregando um bouquet de rosas laranjadas.
Que emoção quando o coral entoou a Ave Maria!!!!! Inesquecível.....
Era chegada a hora....o tão sonhado casamento!!!
O celebrante daria a benção ao casal e ao iniciar a cerimônia...................ouve-se um estrondo - "POW"..... 
Tudo ficou escuro, acabou a energia na Chácara de Eventos Raio de Luz!!!!!

Por Dani de Brito

Os convidados comentavam entre si o que os noivos fariam:

Coitados!

Uma festa tão  linda escondida na escuridão.

As fotografias ficarão péssimas. 

Pobrezinha da Maria Elis. 

Dr. Bruno e Dra. Liana saíram  rápidos  e discretamente de suas posições de padrinhos para comprarem velas. O casamento não  poderia acontecer naquele breu total! Não mesmo! Mas, minutos após sua saída, o gerador foi ligado e a cerimônia continuou belíssima com a leitura de Coríntios 13. Aline e Beatriz entraram com as alianças e a bíblia, enquanto Fernanda trazia um lindo anel de esmeraldas para Alberto presentear sua noiva ao som de Como é grande meu amor por você. As três usavam  vestidos  de cor lavanda e Maria Elis encheu seus olhos de lágrimas de tão emocionada. Alguns convidados se emocionaram  também. 
Assim que o casal de advogados retornou com dezenas de velas de vários  formatos  e tamanhos - todas as que encontraram no supermercado  próximo  à chácara - o celebrante autorizava o beijo. Então a banda contratada para animar o baile dos noivos começou a tocar: Eu sei que vou te amar! E Maria Elis, para demonstrar gratidão por seus sócios, pediu que as luzes fossem apagadas e as velas acesas. O impossível aconteceu: o cenário ficou ainda mais extraordinário. Os copos de leite, lírios  e gypsophilas se destacavam ainda mais com a vegetação verde escura na penumbra. Tantos sentimentos verdadeiros que transbordavam dos noivos eram contagiantes e a felicidade irradiava de todos os convidados. A festa foi regada a boa música, vinho, mesas  de frios e doces que davam água na boca. Os convidados dançavam felizes e os noivos se divertiam como nunca.
No dia seguinte, logo cedo, os recém casados embarcaram para sua lua de mel no Taiti. As filhas de Maria Elis e a do Alberto ficaram no apartamento de Maria Elis acompanhadas de sua amiga Márcia. Era muito bacana ver a amizade que nascia entre Aline, Beatriz e Fernanda. Parecia que já eram grandes amigas, desde sempre. Divertiam-se assistindo filmes, dançando, inventando pratos na cozinha que, quase sempre, ficavam deliciosos. Elas ouviam músicas, se maquiavam e usavam saltos altos enquanto contavam segredos. Uma delícia de amizade adolescente.
Quinze dias após o casamento o casal estava de volta e foi para a casa de Maria Elis, que agora era a casa do casal, enquanto o sobrado era erguido. Suas três filhas esperavam ansiosas por saberem como era a ilha para onde eles haviam viajado. Eles contavam em detalhes e eram interrompidos vez ou outra por suas perguntas impetuosamente curiosas.  Divertiam-se bastante ouvindo  e contando as novidades, da viagem do casal  e da rotina das adolescentes, que só perceberam que precisavam dormir quando o dia raiava. 
A família voltou à rotina de trabalho, estudos, domingos de churrasco e passeios pelos parques de Aparecida. A harmonia em que viviam era um presente para Maria Elis e suas filhas que, por muito tempo, viveram inseguras e com fantasmas do passado a entristecerem suas vidas. Como estavam felizes! Como mereciam o que estavam vivendo!
Cerca de 7 meses depois da linda cerimônia de casamento, numa manhã de domingo, já acomodados em seu sobrado amarelo de portas e janelas brancas, a campainha toca e Aline atende.

Mãe, tem um casal aqui na porta com uma criança. O senhor pediu para chamá-la.

Estou indo minha filha, respondeu Maria Elis dando um beijo em Alberto que preparava as torradas e o café.

    Chegando à porta do sobrado Maria Elis diz: pois não! Sorriu para a menininha de vestido rosa e sua mãe, uma ruiva alta e elegante que a segurava nos braços. E, ao olhar para o homem de meia idade, iluminado por seu par de olhos verdes destacados  em sua pele muito branca e cabelos negros, que olhava fixamente em seus olhos, ficou imóvel, incrédula, e uma lágrima escorreu por seu rosto enquanto seu pulso acelerada e um arrepio lhe percorria a espinha.
Aline já havia voltado para dentro da casa. Homem e mulher ficaram em silêncio por um tempo, sem desviarem seus olhos.

Eu não tive culpa.

Por que você foi embora?

Eu não fui embora.

Nunca mais voltou.

Fui atropelado e levado para um hospital.

Ficou lá por todos estes anos?

Perdi a memória e fui acolhido em uma casa de repouso, a mais de 300 quilômetros daqui.

Alberto chegou na porta da casa. Entendeu quem era aquele homem. Deu um beijo delicado na face de sua esposa e disse em seu ouvido: Não quer convidá-los para entrar? Maria Elis, meio confusa, fez como seu marido sugeriu. Então Beatriz e Aline, sem reconhecerem o pai, levaram Alice, a menininha de 5 anos, que já estava  no colo de Fernanda, para brincar no jardim. Alberto chamou a mulher que acompanhava Ricardo para tomarem um café na varanda enquanto Maria Elis e o pai de suas filhas ficaram na sala conversando.
- Te esperei por todos estes anos. Sofri muito. 
- Eu não entendia como havia chegado à casa de repouso. 
- Há menos de um ano consegui me permitir reconstruir a minha vida.
- Sinto muito. Eu não sabia que eu era casado.
          - Me comportei como viúva por anos. Fui humilhada ouvindo que você havia fugido com outra.
- Eu sempre te amei, Elisinha.
- Mas nunca voltou.
- Eu não me lembrava de nada. Mas um sentimento de angústia,  de perda, me acompanhou por todo esse tempo. Eu não entendia o porquê. 
- Nossas filhas cresceram sem pai.
- Elas eram tão pequenas!
- Sempre falei de você para elas.
- A única  ligação com minha vida era uma aliança  escrita Maria Elis, e não conseguia que este nome fizesse sentido para mim.
- Usei minha aliança até ficar noiva do Alberto. 
- Há 2 meses minha memória voltou.
- Eu nunca me esqueci de você.
- Sofri muito quando  me lembrei de nossa família e não sabia como estavam.
-  Sentimos sua falta.
- Não queria que tivéssemos passado por tudo  isso.
- Não imagina como sofri.
- Como nossa família era feliz!
Os dois conversavam ao mesmo tempo em que lágrimas de tristeza, saudades e amor inundavam seus olhos. Maria Elis contava como tinha sido sua vida e de suas filhas. Ela disse a ele que guardou seus documentos por todos esses anos, com a esperança de que um dia voltasse, e os entregou a Ricardo. Ele contou que conheceu Elisa quando ela visitava sua mãe na casa de repouso, alguns meses após sua internação. Disse que ela lhe ofereceu trabalho em sua empresa de departamentos, e que ele, através de sua dedicação, foi crescendo e se tornou diretor. Maria Elis contou como conheceu Alberto, e que o sorriso que voltou ao seu rosto foi mérito dele. Ricardo disse que adotou o nome Otávio na casa de repouso, por não ter qualquer documento e não se lembrar do seu nome . Ele casou-se com Elisa alguns anos após o acidente e tiveram Alice. Maria Elis contou como as filhas dos dois haviam se tornado lindas e prendadas moças, companheiras fiéis dela. Ricardo recobrou sua memória há dois meses, quando levaram Alice para conhecer o mar. Ele ficou em estado de choque, imaginando o sofrimento que seu desaparecimento teria causado a  Maria Elis e suas filhas. Elisa contratou um detetive para ajudar seu marido a encontrar suas filhas e a antiga esposa.
A conversa aconteceu por mais de duas horas. Foram lágrimas, alguns sorrisos, frases de amor e respeito. Então chamaram Aline e Beatriz:

Filhas, este é Ricardo, o pai de vocês.

    As meninas ficaram como estátuas.

Filhas, não vão abraçar seu pai? Maria Elis completou.

Eram muitas coisas para contar. Muitos sentimentos a transbordar. 
Alberto trouxe suco de cajá e pães de queijo. Definitivamente Alberto era um cavalheiro, um homem generoso e maduro. Todos sentaram-se para comer e Alice encantava a todos com suas sapequices de  menina saudável de 5 anos. 
As novas constituições familiares despediram-se:

Maria Elis, posso ver as meninas amanhã? Perguntou Ricardo.

Sempre que quiser, afinal, são suas filhas.

    Ricardo, Elisa e Alice foram embora.
    Maria Elis foi para o quarto de suas filhas e conversaram muito. As meninas estavam muito felizes, radiantes. Sempre sonharam em estar com o pai, em tê-lo por perto acompanhando suas vidas, seus sonhos, suas conquistas. 

Mãe , e agora? O papai e a senhora vão  ficar juntos?

E o Sr. Alberto? Nós o amamos!

Mãe, e a Elisa?

Agora temos a Fernanda e a Alice como irmãs?

Eu quero continuar morando  com a Fernanda.

Filhas! Filhas, agora acalmem-se. Vou tomar um banho e mais tarde farei aquele bolo de milho que vocês adoram.

Que delícia, mãe. Respondeu Beatriz.

Maria Elis foi para seu quarto, exausta por tantas surpresas, emoções e perguntas de suas filhas. E ela que quando acordou naquela manhã achou que teria um dia de domingo tranquilo em família! Alberto a esperava no quarto. Sorriu para ela de uma forma diferente. Seu sorriso trazia o amor de sempre, mas uma certa insegurança nublava seu semblante. 

O que foi, Alberto? Perguntou Maria Elis.

E agora que Ricardo voltou, como ficamos?

Alberto!... Ricardo voltou e eu fico muito feliz com isto. Feliz pois minhas filhas precisam de seu pai, feliz porque meus sentimentos de tristeza, abandono e traição foram transformados em compaixão, em leveza.

Sim, mas como nós dois ficamos?

Como nós dois ficamos?

Sim. Você esteve por mais de uma década procurando o Ricardo, amando este homem. Agora ele voltou, Maria Elis.

Alberto, meu amor! Continuo amando o Ricardo. Eu o amo por tudo o que ele passou,   eu o amo por sua lealdade, eu o amo por ser o pai de minhas filhas, eu o amo por  ter voltado a fazer parte da família. Mas você, Alberto, fez brotar em mim um sentimento tão puro, um amor tão sólido e que me faz tão bem! Ficamos assim, Alberto, como estamos. Casados, felizes, nos amando e cuidando de nossas três lindas filhas.

Alberto tomou Maria Elis em seus braços e a beijou apaixonadamente como  fizera desde que se conheceram.


Ao final do dia, após o delicioso bolo de milho que Maria Elis preparou, foram à missa na Matriz e lá encontraram Ricardo, Elisa e Alice. Finalmente todos os corações daquelas famílias  estavam plenos outra vez.
E assim, entre tantas histórias, tantas vidas em Aparecida de Goiânia, termina, ou melhor, movimenta-se a vida desta família aparecidense. Com certeza os acontecimentos não parariam por causa de um temporário final feliz!